Fazia tempo que a China não registrava um verão tão frio. Pelo menos no que diz respeito à janela de transferências internacional. Depois de bater recorde de gastos no começo de 2017 e assombrar o futebol mundial, afetando diretamente o Brasil, os milhões de euros chineses congelaram. 

Janela chinesa fraca

Com novas regras impostas pela Federação Chinesa, que limitam a contratação de estrangeiros e até mesmo os gastos exorbitantes, o futebol da terra de Mao Tsé-Tung torrou ‘apenas’ R$ 54 milhões até o momento, e restam apenas cinco dias de período de contratação.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, a janela chinesa virou um desequilíbrio do mercado, colocando R$ 1,2 bilhão nos bolsos alheios para trazer jogadores do quilate de Carlitos Tévez, Axel Witsel, Alexandre Pato e o meia Oscar, comprado pelo Shanghai SIPG por R$ 196 milhões, a maior contratação da história da China.

Na retomada do período liberado para contratar jogadores fora do país, a China se mostrou um dragão enjaulado, gastando apenas 4,5% do montante de janeiro/fevereiro. E nem mesmo o Brasil, onde o preço dos jogadores é mais acessível, se tornou alternativa. 

Se antes a China era capaz de desmontar equipes campeãs como o Corinthians em 2015, “roubar” as estrelas de Atlético e Cruzeiro (Ricardo Goulart e Diego Tardelli) e mirar grandes nomes da Europa, agora apenas duas contratações estrangeiras foram realizadas desde 19 de junho, na reabertura da janela. 

A primeira, o colombiano Adrian Ramos, representa 82% do gasto total dos times da Primeira Divisão (12 milhões de euros). E mesmo assim, foi comprado pelo Chongqing Lifan ainda em janeiro, mas só chegou agora. O outro internacional adquirido é o camaronês Olivier Boumal, que deixou o Panathinaikos, da Grécia, para reforçar o Liaoning FC. Porém, de graça.

Grana para os magnatas de olhos puxados não falta. A grande barreira enfrentada de norte a sul da China é o desejo das autoridades do futebol local de promover os atletas do país. No começo do ano, foi determinado que apenas três estrangeiros poderiam ser relacionados para os jogos, sendo que antes cada equipe poderia escalar quatro gringos mais um estrangeiro asiático.

FEDERAÇÃO COMO VILÃ
Agora os times da China, para cada centavo gasto na contratação de um jogador estrangeiro, precisam depositar a mesma quantia num fundo criado pela Federação Chinesa para investir na revelação de talentos nacionais. 

Além disso, foi imposto um teto de gastos para as equipes que fecharam no vermelho. Na prática, todos 16 times da Primeira Divisão estão no teto, pois ninguém apresentou superávit no balanço financeiro. 

A janela fechará nesta sexta-feira (14), e, pressionada por clubes e detentoras de direitos de transmissão do Campeonato, a Federação Chinesa segue firme, alocando tijolos numa nova muralha a ser erguida no futebol da “República Popular”.