Torcedoras do Atlético Mineiro que colocaram faixas em frente à sede social do clube, em Belo Horizonte, cobrando um posicionamento oficial da diretoria sobre a condenação do atacante Robinho (punido na Itália por violência sexual), afirmam terem sido ameaçadas. A torcida responsável pelas faixas, a Feministas do Galo, em meio à polêmica, recebeu o apoio de outra torcida organizada do time, a Grupa, também formada por mulheres.

A decisão da justiça italiana, que condenou o atacante em nove anos de prisão em primeira instância, é de novembro. Segundo uma torcedora, que preferiu não se identificar, "não houve ameaça direta às pessoas envolvidas, já que não nos identificamos justamente para evitar essas situações. Grupos que nos apoiaram sofreram ameaças de violência física e de processos, o que não tem fundamento, já que existe uma condenação judicial. Estamos lutando para que o clube tenha uma postura responsável", disse a atleticana.

As faixas foram colocadas pela Feministas do Galo na noite de segunda-feira em frente à sede social do Atlético Mineiro no bairro de Lourdes. Uma dizia "Galo, seu silêncio é violento! Não aceitaremos estupradores". A outra afirmava: "Um condenado por estupro jogando no Galo é uma violência contra todas as mulheres". A assessoria do clube afirmou que não vai se posicionar por se tratar de assunto de ordem pessoal do jogador.

Segundo a torcedora atleticana, as reações às faixas colocadas em frente à sede do time são da "agressividade típica dos que não aceitam que mulheres se posicionem e tenham uma opinião determinada, nos acusando de vitimistas ou que apenas queremos aparecer, que não sabemos o que é futebol, entre outras acusações. Sabemos que, como parte da torcida, nós temos o direito de cobrar dos que representam o nosso time do coração uma atitude".

A integrante da Feministas do Galo afirmou que o grupo é contra o posicionamento do clube no episódio, que considera "esta uma questão de cunho pessoal". "Considerando que, em quase todas as reportagens sobre o caso, o nome do time, seu escudo e suas cores são apresentados, não se trata de uma questão meramente pessoal do atleta. Por sermos atingidos enquanto torcedoras, esperávamos que não houvesse dúvidas sobre o quão necessário é um posicionamento firme e claro do time, no momento em que um funcionário do clube é condenado por estupro coletivo, seja ele jogador, gestor ou prestador de serviços. Não nos surpreendeu, tendo em vista o histórico recente do clube, mas nos atingiu agressivamente a passividade diante de tão grave situação", afirmou a torcedora.

A atleticana disse que o grupo sabe que o jogador ainda pode recorrer da decisão. "Esperamos que ele, de fato, não esteja envolvido com a violência, mas, diante da condenação em primeira instância, é inaceitável que haja essa fuga da responsabilidade da diretoria do Atlético".

Em nota, a Grupa afirma que "todas as instituições, principalmente, as mais populares, como times de futebol, têm um papel importante para construção de uma sociedade menos preconceituosa e violenta, especialmente contra a mulher".

O texto diz ainda que a Grupa defende "a necessidade de um posicionamento do Atlético diante da grave situação jurídica na qual o jogador Robinho está envolvido". A reportagem entrou em contato com a advogada de Robinho, Marisa Alija, mas ela não retornou o contato.