Cruzamento da direita. A bola desvia na zaga e sobra livre na linha da pequena área. O atacante, porém, chuta por cima do gol, para desespero da torcida.

A mesma narração se encaixa em lances diferentes, protagonizados por Robinho e Ábila nas derrotas sofridas por Atlético e Cruzeiro na sétima rodada do Campeonato Brasileiro.

As chances desperdiçadas ajudam a explicar os tropeços diante do Atlético-PR, no Independência, e do Corinthians, em São Paulo. Nesses jogos, os mineiros bateram os próprios recordes de finalizações erradas nesta edição da Série A, com 21 e 15 conclusões para fora, respectivamente.

Muito além disso, as jogadas ilustram um quadro amplo e ainda mais preocupante para os rivais, donos de alguns dos piores ataques da competição (veja abaixo).

As equipes mineiras aparecem ao lado de Furacão e Vitória com apenas cinco gols marcados. Só o Avaí tem um rendimento pior, com dois tentos a menos.

Não por acaso, quatro desses cinco clubes formam atualmente a zona do rebaixamento. A exceção é a Raposa, presente na parte de cima da tabela graças à boa defesa, vazada apenas cinco vezes.

Estatísticas

Alguns números reforçam a dificuldade das equipes mineiras em balançar a rede neste Brasileirão.

O mais claro deles é a relação entre a quantidade de finalizações e de gols marcados. Os rivais da capital ocupam o “pódio” dos índices mais negativos, liderado pelo Leão da Ressacada.

Conforme o site especializado Footstats, o Avaí precisa finalizar 22 vezes, em média, para vencer os goleiros adversários. O Cruzeiro vem logo atrás (19,4), seguido do Atlético (17,8). Em comparação, o líder Corinthians corre para o abraço a cada 5,2 conclusões.

O problema, assim, não é a falta de jogadas, mas a clareza delas, conclusão reforçada ainda pela proporção de chutes certos e errados.

Nesse quesito, os mineiros aparecem no “Top 5” negativo do Brasileirão. O Galo é o quarto pior, com 69% de finalizações para longe da meta, seguido pela Raposa, com 66%. Apenas Atlético-PR (70,5%), Vitória (70,7%) e Avaí (77,3%) erram mais a mira na hora de concluir as jogadas.

Cada um dos mineiros passou em branco três vezes nas últimas quatro rodadas. O ataque do Galo falhou contra Palmeiras, Vitória e Atlético-PR. E o da Raposa, diante de Chapecoense, Bahia e Corinthians.

Média de chutes por gol (da pior para a melhor)

Avaí: 22
Cruzeiro: 19,4
Atlético: 17,8

Atlético-PR: 15,6
Vitória: 15
Flamengo: 13,2
Palmeiras: 12,5
Atlético-GO: 12
Botafogo: 10
São Paulo e Coritiba: 9,8
Vasco: 9,7
Bahia: 8,9
Sport: 8,6
Chapecoense: 8,1
Fluminense: 7,9
Ponte: 7,7
Santos: 6,4
Corinthians: 5,2
Grêmio: 4,6

Proporção de finalizações certas (da pior para a melhor)

Avaí: 22,7%
Vitória: 29,3%
Atlético-PR: 29,5%
Atlético: 31%
Cruzeiro
e Flamengo: 34%
São Paulo: 36,7%
Atlético-GO e Vasco: 38,1%
Ponte: 39%
Santos e Botafogo: 40%
Palmeiras: 40,9%
Fluminense: 42,5%
Chapecoense: 43,4%
Sport: 43,5%
Bahia e Coritiba: 44,9%
Corinthians e Grêmio: 45,2%