Atlético e Cruzeiro se entendem em raros pontos, e a rivalidade desafia até mesmo a frieza dos números. O Galo considera 501 clássicos disputados até o momento. Já a Raposa leva em conta 484. São 17 enfrentamentos postos em xeque. Uma discordância que motivaram dois jornalistas a escreverem um livro com a pesquisa em busca do "denominador comum" dessa história.

O editor do caderno de esportes do Hoje em Dia, Alexandre Simões, e o redator do jornal O Tempo, Wallace Graciano, são os autores da obra que contempla o maior duelo de Minas Gerais. O livro virou alvo de uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) em busca dos recursos financeiros para ser lançado. O site para participar da campanha é: catarse.me/atleticoxcruzeiro.

Através de "doações" de R$ 10 a R$ 10 mil (cota empresarial), com resgates proporcionais aos valores, o projeto pretende arrecadar a soma de R$ 24,8 mil para a produção de 2 mil exemplares que prometem passar um "pente fino" na quase centenária rivalidade entre Galo e Raposa.

A ideia é da obra é apontar as divergências estatísticas e achar um padrão para definições de confrontos oficiais. Uma curiosidade é que muitos clássicos chegaram a ser disputados por apenas 80 minutos (dois tempos de 40'), principalmente na era amadora do esporte. 

Estatísticas de Atlético x Cruzeiro 2


"Nossa ideia não é, em nenhum momento, dizer que um clube 'a' ou 'b' está errado. Queremos é, simplesmente, buscar um denominador comum na pesquisa, apontando os jogos segundo critérios hoje estabelecidos pela Fifa e CBF para que um jogo seja considerado oficial", comenta Graciano, um dos autores. 

"O clássico, por exemplo, chegou a ser disputado com 80 minutos de bola rolando. Haviam dificuldades de se estabelecer padrões ao longo dos anos para o futebol. O próprio esporte chegou a ser disputado aqui sem seguir por completo as determinações da Fifa", completa.

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Atlético e Cruzeiro possuem critérios de análise diferentes, adotando regras para definir a quantidade de clássicos. O Galo tem uma visão mais ampla, o que permite somar 17 jogos a mais que a Raposa. Do lado alvinegro, qualquer clássico no qual o time atleticano entrou com o "quadro principal" é válido. Na consideração celeste, apenas duelos em que os dois times estavam com a equipe "A" são postos na contagem.

"Tivemos casos complicados. Se imaginar, teve jogo na década de 70 que os clubes atuaram com quadros reservas, mas o torneio não era restritivo a isso, como foi o caso da Copa Denner, de 1994, que não pode ser inclusa (por ser sub-23) em qualquer conta. Ou seja, não é uma ciência exata e não há certo ou errado nessa história", completa Graciano.

A campanha de financiamento coletivo foi iniciada na quarta-feira (10) e segue no ar até o dia 11 de março deste ano, uma semana após o próximo duelo entre o preto e o azul (em 4 de março, pelo Mineiro). Até o momento, oito colaboradores já investiram R$ 525.