"Em Redor do Buraco Tudo é Beira" faz única apresentação nesta quinta-feira (6), no Sesc Palladium, às 21 horas, com ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia). O espetáculo, da Improvável Produções, do Rio de Janeiro, foi produzido em 2009. Desde então, mantido frequentemente na estrada, no Brasil e no exterior – Alemanha, Áustria e Espanha –, o espetáculo seria "estruturado em fragmentos, em pequenos episódios, em manifestações curtas", situa Marcela Levi, diretora e bailarina.

O que vem à cena derivaria da pergunta tomada como norte: "como uma grande euforia pode tornar um ambiente de massa em violência, num piscar de olhos"? O título, curiosíssimo, pretende sugerir como seria desconfortável tentar se movimentar numa beira qualquer. Similar à expectativa de violência iminente.

Mas por que a dança se proporia a tocar em tais assuntos? "Vivo no Rio de Janeiro, uma panela de pressão, onde a alegria, a malevolência muitas vezes descambam para a violência", argumenta Marcela, para quem o espetáculo não seria dicotômico, não moralizaria a existência. No caso, agressão não seria tomada como boa ou ruim, apenas como parte intrínseca da natureza humana. Violência e euforia como instantes, circunstâncias de descontrole.

Por isso, o desenho animado (e os contos de fada) inspirariam tanto o espetáculo. "Até os anos 60, os desenhos do Walt Disney eram muito violentos, é só ver no YouTube. Os personagens se matavam, se cortavam, mas aquilo era feito como jogo. A gente também usa a fábula, mas abre mão da moral da história, o espectador que chegue às suas próprias conclusões", frisa Marcela, que divide a cena e a cia. com Lucía Russo, com quem já criou "Natureza Monstruosa" e articula "Chega pra lá um Pouco", novo trabalho.

Em todos, exploram relações entre imagem e som, proximidades e distâncias. Como colocar os bailarinos longe do público e trazer o som para perto. Ou eleger um som que não pareça corresponder à imagem que se faria de uma figura, um personagem. A intenção é "tornar aquilo ambíguo, não reforçar expectativas, a sensação que se captou tudo e será preciso remoer o que foi visto", diz Marcela, que fez canto lírico, aprendeu com Angel Vianna e um discípulo de Grotowski e foi ligada à Cia Lia Rodrigues durante oito anos e sete montagens.

Duas centenas de cenouras em cena

Além dos assuntos que aborda, "Em Redor do Buraco Tudo é Beira" ainda leva à cena 200 unidades de cenouras. Isso mesmo: cenouras.

Após cada temporada (curtas, na maioria das vezes), elas costumam ser distribuídas para quem as requisita. É assim que a montagem assegura uma porção lúdica, muito bem humorada – já que o humor é um ponto de fuga.

Sem deixar de ser arte vigorosa e exigir do seu público, não encará-lo como incapaz . Objetiva não oferecer nada muito pesado ou mastigado ou pesado, sem perder teor ou deixar de ser prazeroso.