A natação brasileira conta com a grande fase de um atleta do Minas Tênis Clube para brigar por medalhas no Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste (Hungria), disputado a partir desta sexta-feira (14).

Henrique Martins representará o país nos 50m e 100m borboleta, além do revezamento 4x100m medley. Ele chega à principal competição da temporada como um dos únicos brasileiros presentes no Top 3 das respectivas provas no ranking oficial da Fina (Federação Internacional de Natação).

Com os 22s98 registrados no Troféu Maria Lenk, em maio, o paulista de 25 anos aparece com o terceiro melhor tempo do mundo em 2017 nos 50m borboleta, atrás do inglês Benjamin Proud e do também brasileiro Nicholas Santos. 

Há três semanas, no entanto, ele ainda abaixou a marca para 22s70, na Supercopa Minas. O resultado é considerado oficial, mas não foi registrado pelo clube na entidade por tratar-se de um torneio regional.

A disputa dos 50m foi
uma consequência positiva dos treinos. O objetivo é abaixar o tempo nos 100m, pensando em Tóquio”

Curiosamente, o tempo foi alcançado “no sacrifício”, devido a uma virose.

“A semana da Copa foi conturbada para mim. Passei mal, perdi 2,5 kg e não cumpri com todos os treinos. Foi uma surpresa, mas é uma prova que não depende muito da reserva energética, por isso acabou sendo boa. Já nos 100m, faltou energia para a volta”, conta Martins, já recuperado para a disputa do Mundial.

Meta para 2020

Apesar dos bons resultados, a prova mais curta não integra o programa olímpico. Por isso, os 100m são a prioridade do minastenista neste novo ciclo. “A disputa dos 50m foi uma consequência positiva dos meus treinos. O objetivo principal é abaixar o tempo nos 100m, pensando em Tóquio”, explica.

Nos Jogos do Rio, Martins não conseguiu avançar à semifinal e terminou no 21º lugar, com 52s42. Neste ano, porém, ele já nadou três vezes na casa dos 51 segundos e se classificou para o Mundial em primeiro entre os brasileiros e em 11º no geral, com 51s57.

Marcas

Além de Martins e Santos, o outro nadador do país no Top 3 mundial é João Gomes Júnior (50m peito).

Ao todo, a delegação nacional chega a Budapeste com nove atletas entre os oito primeiros do ranking (veja abaixo), número correspondente ao total de vagas nas finais de cada prova.

Nos eventos internacionais pré-Mundial, o Brasil terminou com um saldo de 20 medalhas (seis de ouro, 11 de prata e três de bronze). Bruno Fratus foi o principal destaque, com cinco vitórias e dois vices.

Retomada

O desafio da equipe nacional é recuperar o prestígio após a decepção na Olimpíada de 2016 e a conturbada troca no comando da CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquático) após denúncias de corrupção.

No Rio, o país ficou sem medalhas na modalidade pela primeira vez desde a edição de Atenas-2004. Além disso, também houve queda entre os dois últimos Mundiais. 

Em Barcelona-2013, o Brasil teve 12 representantes nas finais e subiu cinco vezes ao pódio, conquistando duas medalhas de ouro. Já em Kazan-2015, foram dez finalistas e quatro medalhas, nenhuma delas dourada.

BRASILEIROS NO TOP 3 DO RANKING MUNDIAL

50m borboleta masculino
1º Nicholas Santos (BRA) – 22s61
2º Benjamin Proud (GBR) – 22s80
3º Henrique Martins (BRA) – 22s98

50m peito masculino
1º Peaty Adam (GBR) – 26s48
2º João Gomes Jr. (BRA) – 26s83
3º Kevin Cordes (EUA) – 26s88

BRASILEIROS TOP 8 DO RANKING MUNDIAL

1º Nicholas Santos (50m borboleta)
2º João Gomes Junior (50m peito)
3º Henrique Martins (50m borboleta)
5º Gabriel Santos (100m livre)
6º Bruno Fratus (50m livre)
6º Etiene Medeiros (50m costas)
7º Felipe Lima (50m peito)
7º Felipe Lima (100m peito)
8º Cesar Cielo (50m livre)