As brincadeiras sobre mineiros na praia perderam a graça em Espinosa, na região Norte do Estado. Nascida e criada na pequena cidade de 32 mil habitantes, a jovem Pati Ramos saiu do semiárido para brilhar pelas quadras de areia e tornar-se bicampeã mundial.

Após os dois títulos consecutivos na categoria Sub- 21, além da medalha de ouro nos Jogos da Juventude (2014), a atleta de 19 anos e 1,94m sonha alto e alimenta esperanças de disputar um lugar no pódio do Vôlei de Praia feminino já na próxima Olimpíada, em 2020.

“O projeto é esse, sim. É trabalhar muito e manter o foco”, disse Pati ao Hoje em Dia, na última quinta-feira, durante rápida passagem por Belo Horizonte. De volta ao Brasil após a conquista em Nanquim (China), no dia 16, ela retornava à terra natal pela primeira vez desde a virada do ano.

“Sempre que surge uma brecha, tento ir. Infelizmente, dessa vez, já tem sete meses. Desde janeiro nessa correria”, contou a jogadora. Atualmente, ela vive em Fortaleza (CE), base dos treinos com a parceira Rebecca Cavalcante, 24.

É difícil falar do futuro e, principalmente, das outras duplas. Mas acho que muita coisa pode acontecer em três anos”

Concorrência

Pati corre por fora na disputa pelas vagas brasileiras em Tóquio. Atualmente, o país ocupa três das cinco melhores posições do ranking internacional, com Larissa/Talita (1º), Ágatha/Duda (2º) e Bárbara/Fernanda (5º). Outras seis duplas aparecerem ainda à frente de Pati/Rebecca, presentes somente em uma etapa do Circuito Mundial 2017.

Caso a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) mantenha o critério de seleção, no entanto, a definição levará em conta apenas a pontuação na reta final do ciclo olímpico, a partir de 2019.

“É difícil falar do futuro e, principalmente, das outras duplas. Mas acho que muita coisa pode acontecer em três anos”, avalia Pati. “A gente tem lidado de uma forma bacana com isso e sabe que precisa fazer a nossa parte. Se não for dessa vez, ainda teremos 2024 e 2028”, ameniza.

Pati Ramos foi "descoberta" por um professor em 2013, durante os Jogos Escolares de Minas Gerais, quando ainda praticava handebol. Logo depois, foi convidada pela Federação Mineira para fazer um teste na equipe estadual de vôlei de praia.

"Nossa família sempre fazia viagens para Porto Seguro. Sempre tive uma ligação com a praia, com a liberdade e a paz que ela me traz. Quando recebi o convite para fazer o teste, foi amor à primeira vista", conta Pati.

Retrospecto

O histórico de títulos brasileiros no Mundial Sub-21 é animador. Juntos, os campeões na base conquistaram posteriormente três medalhas olímpicas para o país, além de outros 26 pódios em Campeonatos e Circuitos Mundiais.

Bruno Schmidt e a também bicampeã júnior Bárbara Seixas faturaram ouro e prata nos Jogos Rio- 2016, respectivamente, enquanto Juliana Silva levou o bronze em Londres-2012.

“Ainda não tinha pensado nisso. Tenho que tentar manter assim, né (risos)? Vou trabalhar para essa estatística continuar dando certo”, conclui a atleta mineira.

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