O escritório de advocacia na região da Savassi ficará sem o mentor nesta segunda-feira. Por mais de 12 horas, ele estará em Lourdes, na Sede do Atlético, comandando um evento histórico para o clube alvinegro.

Ex-diretor de Gestão e Planejamento do Galo, Rodolfo Gropen saiu da área executiva para ser eleito presidente do Conselho Deliberativo. Antes mesmo de completar um ano no cargo, em outubro, ele terá a missão de chefiar a votação do projeto da Arena MRV, a ser colocado sob avaliação de 390 conselheiros neste 18 de setembro.

A decisão sobre o estádio próprio sairá de uma sessão extraordinária longa, das 8h30 às 21h, com direito a manifestação da Massa na porta da Sede. Mesmo favorável ao projeto (tem direito e irá votar sim), Gropen cumpre papel neutro e bate numa tecla: a transparência.

Qual a sua expectativa para presidir esta sessão?
Primeiramente, é uma honra ser presidente do Conselho do Atlético. Espero conduzir a sessão de forma serena e, ao mesmo tempo, segura, para que se faça prevalecer a vontade da maioria dos conselheiros. 

Teve muita dor de cabeça nesta semana que antecedeu a reunião?
Sempre há dor de cabeça. Não é um evento simples, tem complexidades compatíveis com um clube dessa grandeza. O Atlético é um mundo à parte. E tenho que dividir o ofício (de presidente do Conselho) com minha profissão de advogado da área tributária, a qual exerço há quase 30 anos. Não tive herança além do caráter e da vontade de trabalhar. Tudo que construí foi com as minhas mãos, com os meus estudos. Tenho que ganhar o meu dia a dia dividindo as tarefas com o Conselho.

Você chegou a publicar o edital pelo Twitter. Foi motivo de orgulho fazer esta convocação?
Além da obrigatoriedade de ser publicado em um jornal de grande circulação, o edital foi por mim publicado no Twitter pois classifico esta reunião como de interesse da torcida. Na verdade, tudo que interessa ao Atlético é prontamente de interesse de sua torcida.

Vislumbra este dia 18 como sendo um marco para a história do Atlético?
Espero que seja, sim. Espero seja uma data marcada para sempre. A data foi escolhida de forma natural perante os trâmites necessários no Conselho. Eu tinha de convocar uma reunião (ordinária) em agosto e outra em novembro. Então, achei que setembro seria o mês ideal, e foi quando a diretoria se encarregou de esclarecer a todos os conselheiros o que será votado.

Sobre detalhes técnicos da sessão, quantos conselheiros poderão votar?
Hoje, são 390 conselheiros aptos a votar. E, para o projeto ser aprovado, é necessário o voto favorável de dois terços deste quórum, o que significa 260. Como há necessidade de se preencher esses 260 votos, a ausência do conselheiro na votação contribui para o “não”. Existem alguns conselheiros licenciados que não poderão votar. E quem é conselheiro suplente não tem poder de voto. Os conselheiros que trabalham no clube também não poderão votar.

Não é o caso do Lásaro Cândido, que pediu licença do cargo de diretor jurídico do clube...
Não. O Lásaro, na verdade, pediu exoneração do cargo que ocupava no Atlético. Inclusive, fez isso antes da convocação da reunião do Conselho. Até porque há uma regra no Estatuto do Atlético de que não se pode licenciar para votar. Ele optou por pedir exoneração e, desde agosto, não é mais diretor jurídico do clube. 

Rodolfo Gropen ao lado do maior artilheiro da história do Atlético, Reinaldo

Rodolfo Gropen ao lado do maior artilheiro da história do Atlético, Reinaldo

E o que ocorrerá na sessão, com previsão de duração de doze horas?
A sessão começa às 8h30, em primeira chamada. Depois, haverá uma segunda chamada às 9h. Então, haverá a apresentação do projeto do Estádio do Atlético pela diretoria executiva, com previsão de duração de 30 minutos. A partir de 9h30, se iniciam os debates entre os conselheiros. Concomitantemente, a votação transcorrerá para aquele que já tiver o voto definido. O voto será nominal e aberto. O conselheiro terá que declarar se vota “sim” ou “não” e, posteriormente, fazer a inserção da cédula de votação na urna.

Houve grande procura dos conselheiros pelo projeto, através do material disponibilizado na Secretaria do Conselho, conforme indicado no edital de convocação?
Sim. Os conselheiros já haviam recebido em casa diversos materiais sobre o conteúdo do projeto. O que eu fiz, como presidente do Conselho, foi disponibilizar todo o material técnico, financeiro e contratual, para que os conselheiros fossem consultar lá na Secretaria. Efetivamente, houve uma procura muito grande. Foram até registrados os nomes dos conselheiros que compareceram, mas não sei o número exato. Foi bastante.

Há risco de algum tipo de fraude ou manipulação?
Não. Inclusive, há 40 novas vagas para conselheiros que poderiam ser preenchidas agora. Mas eu preferi não fazê-lo, justamente para não influenciar neste processo de votação. Poderiam dizer que essas vagas foram preenchidas apenas pensando no dia 18.

O projeto fez emergirem vozes contrárias no Conselho. Mais recentemente, o advogado Edison Simão tomou a frente desta oposição. Como você analisa o debate, tanto nas reuniões do Conselho como fora do clube?
Acho importante ter o debate. É essencial que as ideias se confrontem, para que os conselheiros aumentem a consciência na hora de votar. Mas que o confronto seja sempre entre ideias, e não pessoas.

Vazaram áudios com discussões entre conselheiros sobre o estádio numa reunião que não tinha o projeto como tema...
Hoje em dia, tudo é gravado. Mas vejo os debates como naturais e importantes. Talvez a unanimidade não aperfeiçoe um determinado projeto. Com relação ao envolvimento dos atleticanos fora do Conselho, eu achei excelente. Porque o Atlético é dos atleticanos. Eu estou presidente do Conselho, mas sou atleticano. Também irei participar dos debates nas redes sociais quando voltar à arquibancada, sempre respeitando a opinião diversa.

Rodolfo Gropen foi diretor do Atlético no período mais vitorioso do clube

Rodolfo Gropen foi diretor do Atlético no período
ais vitorioso do clube

Você chegou a ser diretamente atacado nesses áudios. Se sentiu ofendido?
Houve um conselheiro, doutor Alberto de Lima Vieira, que reclamou do sistema de votação. Ele disse que eu sou muito novo no Atlético, que só tenho nove anos de clube e que minha idade seria baixa. Mas eu acho que o melhor sistema de votação é o baseado na transparência (voto aberto). E que cada conselheiro não deve representar a si próprio, mas sim o torcedor. Seria injusto se fosse de outra forma se não a mais transparente.

Diante de opiniões contrárias à arena, torcedores foram às redes sociais contra essa “oposição”. Solicitaram até a reformulação do quadro de conselheiros...
São as paixões. Respeito cada conselheiro, o que vota “sim” e o que vota “não”. Mas o Atlético tem Estatuto e, para a retirada de qualquer conselheiro, é preciso preencher requisitos nessa “bíblia” do Galo. Então, não há nada nesse sentido.

O conselheiro Edison Simão entrou com ação na Justiça para impedir a votação. Como o senhor recebeu esta notificação?
Todo cidadão tem direito à ação judicial. O conselheiro lançou mão desse direito e judicializou a discussão. Eu esperava que ele fizesse isso no Conselho, internamente, mas foi a escolha dele Nota: a ação foi rejeitada na 1ª Vara Cível de Belo Horizonte na quinta-fera, após esta entrevista.

A torcida prometeu mobilização na sede no dia da votação. Como você avalia essa “pressão”?
Estou acompanhando essas manifestações. Só peço que a torcida aja de forma ordeira, para que o conselheiro tenha o direito de dar o seu voto, seja ele favorável ou contrário. Acredito que a participação da torcida, em qualquer coisa que tange o Atlético, é mais do que legítima.

Além da votação do estádio, haverá outro evento importante no Conselho que é a eleição presidencial. Já há data marcada? Quais são as regras?
O Estatuto rege que seja na primeira quinzena de dezembro. Não existe limite de chapas inscritas. Por outro lado, para a chapa ser legitimada, ela precisa da assinatura de 50 conselheiros. Qualquer conselheiro pode se candidatar, menos os suplentes.

Esta pauta já vem ocupando a sua agenda?
Por enquanto, não me ocupei com isso. Hoje, a votação do estádio está mais em foco. Até porque haverá uma reunião do Conselho Deliberativo, em novembro, antes do período da eleição, para a aprovação do orçamento.