A maior reclamação dos treinadores brasileiros é a falta de tempo, por causa da maratona de jogos, para poder acertar suas equipes taticamente.

No início desta temporada, o que Roger Machado, do Atlético, mais teve, foi justamente tempo, pois o calendário foi favorável, já que o clube teve um mês entre a primeira e segunda partidas na Copa Libertadores e os jogos do Campeonato Mineiro foram disputados apenas nos finais de semana.

O desempenho abaixo do esperado do alvinegro, principalmente em fevereiro e março, jogou uma enorme pressão sobre o treinador atleticano. E justamente quando ela chegou ao ponto mais alto, ele deu a resposta e ergueu a sua primeira taça como técnico.

A classificação às oitavas de final da Copa Libertadores foi alcançada com uma rodada de antecedência. E ontem, Roger Machado, apesar do pouco tempo para treinamentos nas últimas três semanas, consolidou a sua virada no Atlético com mais uma armação de equipe superior ao adversário Mano Menezes, que lhe venceu os dois primeiros clássicos da temporada, mas amargou fracassos justamente no momento decisivo.

MUDANÇAS
Se no jogo de ida, no Mineirão, Roger já deu um passo importante para a conquista da taça, com o empate sem gols, no confronto de ontem sua participação foi ainda mais decisiva. E é sem dúvida grande a sua parcela na conquista da taça.

A entrada do volante Adilson deu ao Atlético um equilíbrio que o time não tinha há muito tempo. E voltou a fazer do até então apagado Robinho novamente uma arma. Livre para criar na frente, ele foi soberano no primeiro tempo. Marcou um gol, teve outro mal anulado pela arbitragem, que, se validado, praticamente definiria a parada na etapa inicial.

Além disso, suas substituições durante a partida foram cirúrgicas. E teve o acerto premiado quando o gol do título saiu de uma assistência de Cazares, usado para explorar os espaços deixados pelo Cruzeiro, para o volante Elias, que atuou como meia pela direita, fechando uma avenida que vinha sendo explorada pelos adversários em 2017.

Entre os dois treinadores, o título era mais importante justamente para Roger. A derrota no Independência não faz “balançar” Mano Menezes, que ontem perdeu sua invencibilidade em clássicos mineiros, que já durava nove jogos.

RECADO
De toda forma, a final do Campeonato Mineiro foi mais um recado para Mano Menezes, que já tinha recebido uma indireta do São Paulo na terceira fase da Copa do Brasil.

Seu time não tem força ofensiva. A falta não de um homem de área, mas de alguém na área, faz do Cruzeiro um time improdutivo. Além disso, a maior contratação da temporada, Thiago Neves, não consegue ser para o time o que, por exemplo, Elias é para o Atlético.

E Arrascaeta, o craque da companhia, parou de jogar. E tem que ser dele o diagnóstico para isso. A temporada está só no começo, nada está ganho nem perdido, mas no momento, a festa do “calouro” Roger Machado é mais do que justa. Do outro lado, o “veterano” Mano Menezes tem, com certeza, a consciência de que é hora de trabalhar mais e falar menos.