Lucas Silveira é mais um brasileiro que se espelha nos grandes nomes do surfe para chegar longe na modalidade. Na última quarta-feira (13) ele se sagrou campeão mundial júnior, título que já foi conquistado por Gabriel Medina e Adriano de Souza, o Mineirinho, só para se ter uma ideia, e agora quer dar passos mais largos para chegar na elite. O carioca, que treina em Florianópolis, mostra que o Brasil está em alta em cima da prancha.

O atleta é treinado por Leandro Dora, o Grilo, técnico de Mineirinho, e vai poder disputar as principais etapas do WQS, a segunda divisão do surfe, a fim de conquistar os pontos para chegar no WCT, onde estão os atletas de elite, no próximo ano. Nesta entrevista exclusiva à reportagem de O Estado de S. Paulo, o surfista de 19 anos fala sobre o título em Ericeira (Portugal), comenta os planos de carreira e conta um pouco da sua trajetória no surfe.

 

Mais um para o Brasil. Parabéns Lucas Silveira, campeão mundial júnior.

Publicado por World Surf League em Quinta, 14 de janeiro de 2016


Qual a sensação de ter conquistado o Mundial Júnior, um título que surfistas como Gabriel Medina e Adriano de Souza também ganharam?
A sensação de conquistar esse título, que tantos nomes como Gabriel, Adriano, Andy Irons e Joel Parkinson já ganharam, é incrível. Foi o primeiro passo deles, começaram assim, e faz eu acreditar que estou no caminho certo e me dá muita confiança para ir com tudo no WQS e me encontrar com eles na elite no futuro. Estou me sentindo muito bem.

Você tem treinado com o técnico do Mineirinho. Como tem sido isso?
Eu treino com o Grilo, que é o técnico do Mineirinho, há muito tempo, acho que fui o primeiro surfista que ele treinou. Ele virou treinador comigo, aí depois começou a treinar o Ricardinho dos Santos, o Yago Dora, que é o filho dele. Ele é nosso mestre, foi essencial no título do Mineiro e essencial no meu título também. Ele tem muita espiritualidade, sabe o que falar nas horas certas, gosto muito do trabalho dele, a gente se dá muito bem e sempre viajamos juntos. Essa relação foi essencial.

Você viu de perto o título do Mineirinho no final do ano. Isso te inspirou?
A gente estava no Havaí com o Mineirinho quando ele foi campeão mundial, e isso inspirou muito a gente. Vi que é possível conquistar o mundo, o Mineirinho mostrou isso, e com certeza isso me deixou com muita vontade de ganhar aqui em Portugal também.

Quais são as suas expectativas para a temporada?
Daqui de Portugal vou direto para o Havaí. O objetivo nessa temporada é ir com tudo no WQS para conseguir chegar à primeira divisão. O ano começou muito bem para mim, mas tem muita coisa pela frente. Quero me classificar para o WCT, sei que não é fácil, tem muitos surfistas bons na disputa, mas tenho de acreditar e confiar em mim mesmo. Sei que não é impossível, só preciso manter o foco o ano todo.

Em linhas gerais, como você começou no surfe?
Eu comecei no surfe por causa dos meus irmãos mais velhos, o José e o Alex, que já surfavam. Meu pai sempre apoiou, apesar de não surfar. Ele era atleta de voo livre, então sabe como é competir, viajar e ficar longe de casa, pois fez muito isso na vida. A família sempre deu muito apoio, comecei a evoluir, participei de campeonatos amadores, fui campeão carioca, brasileiro, peguei patrocínio e agora estou aqui.