No setor amarelo superior, historicamente o primeiro a se esgotar nos jogos do Cruzeiro como mandante no Mineirão, uma das torcidas organizadas do clube costuma abrir uma faixa com a frase: “Canta que sai gol”. O lema das “arquibancadas” parece ter contagiado o técnico Mano Menezes. E a fragilidade ofensiva do seu previsível time nas partidas pelas competições mais importantes, no Gigante da Pampulha, parece ter como causa a falta de adesão da turma ao aviso.

“Vamos procurar crescer em cima de vitórias, de classificações. Não é fácil chegar na reta final da Copa do Brasil. Precisamos de ajuda das arquibancadas. Em determinados momentos, estava silenciosa (a torcida). Torcer com 2 ou 3 a 0, aí eu também torço. Nós precisamos da ajuda, do empurrão. A torcida sabe da importância que tem para a nossa equipe. Com a nossa classificação, a torcida vai empurrando, vai acreditando mais. Estou aqui há três anos. Nos dois primeiros chegamos à semifinal e depois conquistamos o título. Já estamos nas quartas de final da Copa do Brasil este ano. Todo mundo quer chegar. Muita gente boa ficou pelo caminho. Temos que saber respeitar isso. É muito difícil chegar entre os melhores”, declarou Mano Menezes na sua entrevista coletiva logo após o empate por 1 a 1 com o Atlético-PR na última segunda-feira, que garantiu ao Cruzeiro o direito de encarar o Santos nas quartas de final da Copa do Brasil.

Os números ofensivos do Cruzeiro como mandante nas principais competições da temporada mostram que Mano Menezes parece estar ficando sem explicação para a fragilidade da sua equipe. E quando isso acontece, é mesmo comum no futebol treinadores passarem a caçar desculpas para o baixo rendimento.

MÉDIAS

Nas nove partidas no Mineirão por Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, o Cruzeiro marcou 15 gols, média de 1,66. Mas este número é mentiroso por causa dos 7 a 0 sobre a Universidad de Chile, num confronto em que o adversário jogou grande parte com dois jogadores a menos por causa de expulsões.

Nos outros oito jogos no Gigante da Pampulha, pelas três principais competições da temporada, o Cruzeiro de Mano Menezes balançou a rede oito vezes, número que nem torna necessário o uso da calculadora para se chegar à média.

Sim, o badalado e caro Cruzeiro de Mano Menezes faz, em média, um gol por partida como mandante. É muito pouco para quem pretende brigar pelas grandes taças e principalmente para um time que iniciou a temporada integrando todas as listas de favoritos aos títulos continental e nacionais.

No Brasileirão, que o time volta a disputar na quinta-feira, quando recebe o América às 19h30, no Mineirão, o Cruzeiro tem o segundo pior ataque, com oito gols em 12 jogos. Marcou mais apenas que o lanterna Ceará e o antepenúltimo Paraná, que balançaram as redes sete vezes, cada.

Lesões, queda de produção de jogadores, e neste aspecto o titular absoluto Thiago Neves é o representante maior, e falta de estratégia ofensiva barram a arrancada cruzeirense em 2018.

Criticar a torcida está longe de ser o caminho para a solução da improdutividade celeste. Até porque, criar uma batalha entre o time que não encanta e a torcida, que segundo Mano Menezes, não canta, não é  o ideal para um Cruzeiro que tem nesta segunda metade de temporada o desafio de provar que a empolgação do início do ano não foi apenas “Muito barulho por nada”.