Se é verdade que um ciclo olímpico começa assim que termina o anterior, as perspectivas para o desempenho brasileiro nos Jogos de Tóquio-2020, depois de ter sediado a competição máxima do esporte mundial, se mostram preocupantes em várias modalidades. Algumas delas retomaram a rotina habitual de competições e treinos e já trabalham na formação das seleções permanentes. O handebol feminino, por exemplo, manteve o dinamarquês Morten Soubak como treinador e disputa até domingo um quadrangular internacional em Belém, contra Cuba, Uruguai e Eslováquia.

Outras, no entanto, vivem um cenário de incerteza e problemas administrativos, que já se refletiram nas quadras e piscinas. É o caso do basquete – a Confederação Brasileira (CBB) chegou a ser suspensa provisioriamente pela Federação Internacional (Fiba) e encontra-se sob intervenção. Entre os problemas apontados pela entidade máxima da modalidade está a incapacidade de cumprir compromissos financeiros (como o pagamento da taxa estabelecida para disputar os Jogos do Rio), a não-realização de eventos internacionais previstos para o país e a ausência em competições das categorias de base. Três meses depois da decepcionante campanha nos Jogos (eliminações de masculino e feminino na primeira fase), ainda não foram confirmados os nomes dos novos treinadores das equipes adultas.

Na Justiça
A situação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) é ainda mais séria e foi parar na Justiça. Por recomendação do Ministério Público Federal, o juiz Heraldo Garcia Vitta, da 21ª Vara Federal de São Paulo, determinou o afastamento do presidente Coaracy Nunes, de outros três dirigentes e sua substituição por um interventor. O grupo é investigado sob suspeita de fraude em um convênio com o Ministério do Esporte. Em nota no site da entidade, a diretoria afastada nega irregularidades, afirma não ter tido acesso ao direito de defesa e argumenta que a situação ameaça a negociação com patrocinadores e a realização de eventos como seletivas e campeonatos de natação, polo aquático, saltos ornamentais e maratonas aquáticas.

Cancelado
Os pesados investimentos em marketing e estrutura para a Olimpíada e o cenário de crise também impactaram no calendário de algumas modalidades.
Depois de seis edições de sucesso e a inclusão no ranking da União Ciclística Internacional (UCI) como a prova por etapas de maior pontuação no país, o Tour do Rio não foi realizado este ano, por falta de patrocinadores.

A competição, organizada pela ONG Instituto Faça, chegou a reunir times profissionais e seleções da Colômbia, EUA, Itália, Portugal, Argentina, Chile, Paraguai, África do Sul, Alemanha, Costa Rica e Ruanda. Para as equipes brasileiras de menor porte, tratava-se de uma oportunidade rara de medir forças com atletas de alto nível técnico, caso dos espanhois Gustavo Veloso, bicampeão da Volta a Portugal, e Óscar Sevilla, que chegou a andar entre os primeiros no Tour de France e venceu as edições da prova carioca em 2013 e 2014. Apesar da expectativa de retomá-la, a competição não integra o calendário da UCI para 2017.