A principal entidade do esporte no país está, mais do que nunca, no meio do furacão. Se até pouco tempo prevalecia o orgulho pelo sucesso dos Jogos Olímpicos Rio’2016, passada a festa vieram os problemas com o uso (ou a falta dele) das estruturas de competição, o legado de dívidas astronômicas e os desdobramentos da Operação Unfair Play, que levaram à prisão e a destituição de Carlos Arhur Nuzman, acusado de envolvimento em um esquema de compra de votos para a escolha da cidade carioca.

Como consequência, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) acabou suspenso pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) – os atletas podem seguir competindo normalmente, mas o país perde qualquer direito a voto ou a ocupar postos executivos na entidade.

O primeiro passo para deixar o fundo do poço está previsto para hoje, quando uma comissão estatuinte se reúne para analisar e aprovar o novo estatuto.
Um documento que, por exigência do COI, traz vários novos instrumentos de transparência, controle e participação de atletas e federações. Não custa lembrar que, quando da saída de Nuzman da presidência, vários atletas e ex-atletas se manifestaram nas redes sociais considerando que aquele seria o ponto de partida para um novo tempo no esporte.

O comando do COB é exercido provisoriamente por Paulo Wanderley, ex-presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), lembrado por ter assumido o posto substituindo a família Mamede, que por décadas se perpetuou nos tatames em meio a vários indícios de irregularidades e questionamentos judiciais. As próximas eleições estão originalmente previstas para 2020 e dificilmente Nuzman, mesmo que autorizado pela Justiça, retomará o posto, devido ao desgaste internacional de sua imagem.

Ressalvas
A proposta do novo estatuto foi discutida com a Comissão de Atletas do COB e contou com a colaboração de instituições como o Sou do Esporte, instituto sem fim lucrativos presidido pelo ex-jogador Raí, que procura incentivar a revelação de atletas.

Ainda assim, há pontos que são motivo de ressalva. Em carta aberta, o Sou do Esporte defende que, além de ser composta em um terço por atletas, a Assembleia-Geral do COB dê voz também a árbitros e treinadores. Outra reivindicação é de que o Conselho de Administração tenha caráter decisório, tirando o poder das mãos do presidente.