Duas badaladas gerações que já vêm sendo preparadas há algum tempo, mas sobre as quais pairavam mais dúvidas do que certezas, terão enfim a chance de fazer história num duelo de “gente grande”. Valorizados desde as categorias de base, jogadores de França e Bélgica sonham agora com um título de Copa do Mundo. A primeira vaga na final será decidida entre eles nesta terça-feira (10), às 15h, na Arena São Petesburgo.

Do lado francês, a média de idade do time titular é menor (25 anos). Alguns dos principais nomes, porém, já estão mais acostumados às decisões e aos títulos defendendo as cores do país, como o zagueiro Samuel Umtiti e o volante Paul Pobga, campeões do Mundial Sub-20 em 2013. Já o atacante Antoine Griezmann conquistou a Eurocopa Sub-19 em 2010, enquanto seu companheiro Kylian Mbappé, caçula do grupo, levantou o mesmo troféu seis anos depois.

Martínez deu a esta geração a cultura da vitória. Era o que faltava”

A mescla de categorias vitoriosas, no entanto, ainda não conseguiu levar a seleção a conquistas na Era Didier Deschamps. Após o tropeço diante da Alemanha nas quartas de final da Copa de 2014, o técnico renovou o elenco, mas também fracassou contra Portugal na decisão da Euro de 2016. Este revés foi traumático, pois a França era favorita e jogava como anfitriã do torneio.

Maturidade

Os Diabos Vermelhos chegam mais experientes ao encontro, com média de 28 anos. A maioria dos jogadores têm idades mais próximas – a famosa “Ótima Geração Belga” – e atuam juntos há um tempo maior. Os zagueiros Vicent Kompany, Thomas Vermaelen e Jan Vertonghen e os volantes Moussa Dembélé e Marouane Fellaini, por exemplo, eram da seleção Sub-23 derrotada pelo Brasil na disputa do bronze olímpico em Pequim-2008.

A pressão sobre o time comandando pelo técnico Roberto Martínez, contudo, é maior. Enquanto a França já conquistou um título (1998) e um vice-campeonato (2006), a Bélgica alcançou no máximo um quarto lugar no Mundial (1986).

A “geração de ouro” passou a lidar com uma constante desconfiança após as eliminações nas quartas de final da Copa de 2014, diante da Argentina, e principalmente na Euro de 2016, contra o modesto País de Gales, na mesma fase.

Agora, parece ter alcançado a maturidade. É a única equipe com cinco vitórias neste Mundial e eliminou a Seleção Brasileira com autoridade no principal desafio até aqui. “Martínez deu a esta geração a cultura da vitória. Era o que faltava”, concluiu Jean-François de Sart, técnico do time olímpico de 2008, em entrevista à Agência France-Presse.