A queda nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de 2016 marcou o adeus de boa parte da geração responsável pelo histórico título mundial conquistado pela Seleção Brasileira de Handebol Feminino, há pouco mais de três anos.

No primeiro compromisso oficial desde a decepção no Rio – o III Torneio Quatro Nações, disputado no fim de semana em São Bernardo do Campo (SP) –, a equipe já não contou com sete das 14 convocadas para a Olimpíada, cinco delas campeãs mundiais em 2013.

A gente ainda está se conhecendo, mas já dá para ver que todo mundo está com uma disposição muito grande. Estou bem satisfeita com os treinos. Agora, vai depender do trabalho, da 'fome' e do sonho de cada uma de trazer um resultado expressivo para o
handebol brasileiro"

Com as ausências da ex-capitã Dara e da veterana Dani Piedade – além da ex-melhor do mundo Alexandra Nascimento, lesionada –, entre outras, a responsabilidade de liderar a “nova geração” recai ainda mais sobre a armadora Duda Amorim.

A catarinense de 30 anos conquistou recentemente o terceiro título na Liga dos Campeões da Europa, com o Gyori Club (Hungria). E, para a sorte da seleção, ela não esconde a meta pessoal de aumentar a coleção com uma medalha olímpica em Tóquio-2020.

“Acredito no meu crescimento como atleta. Para se manter no topo, você precisa sempre estar evoluindo. Ainda tenho objetivos para a minha carreira, sim. Quero ganhar mais Ligas dos Campeões, se possível, e só depois de Tóquio é que vou pensar nos meus sonhos pessoais”, afirma Duda ao Hoje em Dia.

Há 12 anos atuando na Europa, a armadora é a maior referência para o esporte no país, especialmente quando se trata de conquistas. Melhor jogadora do planeta em 2014, ela foi também o destaque individual do título histórico no ano anterior e tem ainda dois ouros em Jogos Pan-Americanos (2007 e 2011).

A atleta mostra otimismo quanto à vaga no Mundial da Alemanha, em dezembro. “No momento, a nossa realidade é classificar em primeiro ou segundo lugar no Campeonato Pan-Americano. É uma meta real, mesmo com uma equipe que está se conhecendo agora”, avalia Duda.

Em relação ao principal torneio da temporada, ela mantém os pés no chão. “Se é para ser realista, acredito que ainda não teríamos chances de pódio no Mundial. Mas vamos trabalhar muito para isso”, acrescenta.

“Agora no início, logicamente, não dá para dar tantos resultados. Mas, se fizermos um trabalho bom, vamos conseguir, até Tóquio, trazer alguma coisa boa para o Brasil”, conclui a armadora.

Campeãs

Para o Torneio Quatro Nações, foram convocadas 21 atletas, das quais 16 serão levadas para a disputa do Campeonato Pan-Americano, a partir do dia 18, na Argentina. A competição dá três vaga no Mundial da Alemanha.

Uma das caras novas no elenco é a armadora Bruna de Paula, de apenas 20 anos. Apesar da pouca idade, ela vem se destacando pelo Fleury Loiret, tendo sido inclusive indicada como melhor atleta estrangeira da Liga Francesa.

Com Duda e Bruna em quadra, o Brasil conquistou o torneio preparatório com três vitórias, sobre Chile (40 a 13), República Dominicana (36 a 9) e Portugal (35 a 29).

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