O sistema de som da sala de imprensa erguida e margiando o campo de treinamento anuncia: "aos jornalistas estrangeiros, nós temos equipamento de tradução simultânea no canto esquerdo". A informação é repetida três vezes, até os primeiros gringos se levantarem. Mas uma russa dispensa a tecnologia. Fala, compreende e escreve bem o português. A obrigação dos tempos de escola virou diferencial profissional.

Yulia Yakovleva, ou melhor, Júlia Yakovleva, mas se preferirem "Júlia Rebelde". A jornalista nascida em Moscou virou correspondente em Portugal do futebol russo, mas também referência do esporte na terrinha e no Brasil para o jornal "Sport-Express", da Rússia.

"Eu estudei português aqui na Rússia, e não foi vontade minha. Era uma regra da universidade estudar uma língua estrangeira além do Inglês. Fiz jornalismo e me especializei em tradução. Comecei a viajar para Portugal, ficava 2, 3 meses e depois voltava para a Rússia. Depois, como jornalista, tive contato com brasileiros e portugueses. Então tive a prática da língua quase diariamente", contou Júlia, ao Hoje em Dia

Na Copa do Mundo de 2018, está responsável por cobrir a Seleção Brasileira nesta primeira semana de mundial. Chegou a Sóchi para acompanhar de perto os passos de Neymar, Gabriel Jesus e demais atletas. Mas a predileção era por Willian, Taison, Fred ou Fernandinho, que poderiam arriscar algumas palavras russas nas coletivas. 

A ligação com o futebol brasileiro começou com um jogador com passagem discreta pelo Atlético. Júlia colocou em prática pela primeira vez o português estudado, em uma entrevista, ao conversar com o meia-atacante Carlos Eduardo, atualmente no Paraná.

"Eu fiquei muito amigo do Cadu, porque ele foi o primeiro jogador aqui na Rússia que eu entrevistei em português. Estava jogando no Rubin Kazan. Depois comecei a entrevistar cada vez mais personagens de língua portuguesa no futebol russo, como Manuel Fernandes (jogador português do Lokomotiv Moscou".