A Federação Mineira de Futebol, se fosse uma equipe, seria a terceira que mais lucraria com as bilheterias das partidas do último Campeonato Mineiro. Os borderôs dos 72 jogos do torneio estadual findado no último domingo revelam que a taxa de 10% sob a receita bruta de todos os duelos, na qual a FMF tem direito por regulamento, faz com que a entidade tenha arrecadado somente menos do que os dois finalistas.

O campeão Atlético é o segundo no ranking de faturamento das bilheterias (que é a receita líquida + a renda bruta - a despesas dos jogos), com R$ 1,12 milhão. O vice-campeão Cruzeiro terminou em primeiro lugar no quesito, com quase R$ 2,4 milhões. Já a FMF vem logo abaixo, tendo faturado R$ 1,02 milhão.

A taxa pode parecer de pequeno impacto num momento inicial, mas proporciona à Federação levar sempre um "trocado" de todos os jogos. E, por se tratar de um percentual da receita bruta, a FMF jamais ficará no negativo. Obviamente, a entidade que rege o futebol mineiro tem despesas milionárias para arcar ao longo da temporada. No balanço financeiro de 2016, por exemplo, ela teve que bancar R$ 12 milhões, sendo a maioria com "despesas com pessoal" e "despesas administrativas".

Para se ter uma ideia do quanto a Federação de Minas "belisca" nos jogos - algo que ajuda a entender porque ela é uma das poucas que terminaram no azul desde a Copa do Mundo - os outros 10 clubes do Mineiro-2017 que não conseguiram chegar à final, somandos, levaram para casa, de bilheteria, R$ 200 mil a menos que a administradora do campeonato.

Em outras palavras, a FMF, sozinha, arrecadou 24,29% a mais que América-MG, URT, Uberlândia, Tombense, Caldense, América-TO, Tupi, Villa Nova, Tricordiano e Democrata-GV.

Ranking de arrecadação do Campeonato Mineiro

Ranking de arrecadação do Campeonato Mineiro

Por falar na Pantera de Governador Valadares, ela foi a equipe que mais faturou fora Atlético e Cruzeiro. Muito pelo jogo contra o próprio Galo, o Democrata levantou quase R$ 400 mil de bilheteria, em lucro.

O cenário negativo, porém, apresenta uma situação preocupante para o América. Semifinalista ao lado da URT, o Coelho, com estádio próprio, teve um prejuízo de praticamente R$ 190 mil. À exceção do clássico contra a Raposa na semifinal, vencido pelo Cruzeiro por 1 a 0, todos os outros jogos do time alviverde no Horto terminaram em prejuízo.

As outras duas equipes que ficaram no vermelho foram Villa Nova e Caldense. Curiosamente, o lanterna da competição e responsável por ser mandante do único jogo de portões fechados (diante da URT, em Três Corações), o Tricordiano ficou "no azul".

Naquela partida no Elias Arbex, houve um prejuízo R$ 15 milhões aos cofres do time da terra de Pelé. Sem poder vender ingresso, a partida apresentou R$ 0,00 de renda bruta, e a FMF saiu "de mãos abanando" do sul de Minas.

Em compensação, nas finais do Campeonato, entre Atlético e Cruzeiro, as rendas foram as maiores do torneio. Mesmo tendo quase 1/3 da capacidade do Mineirão, o Independência, no jogo de volta, arrecadou praticamente a mesma renda bruta do jogo de ida: R$ 1,615 milhão no Gigante e R$ 1,602 milhão no Horto. Com isso, a FMF teve direito à 10% das duas bilheterias, o que significa R$ 320 mil aos cofres da Federação.

Vale lembrar que a FMF cobra taxa de 10% das equipes da capital. No interior, se a Liga Amadora da cidade estiver ativa, ela recebe 1,5% da renda bruta, com a FMF ficando com 8,5%. No jogo URT 1x1 Galo na semifinal, ocorrido no Mineirão, a FMF levou 9,25% da renda bruta, direcionando 0,75% para a Liga Amadora de Patos de Minas

A taxa de 10% não é exclusividade da FMF. O presidente da FERJ (Federação Carioca, que cobra as mesmas 10%) disse que 9 Federações fazem uso desta arrecadação. A Federação Paulista cobra 5%

Arrecadação bruta e líquida dos clubes do Mineiro 2017, de acordo com os borderôs

Arrecadação bruta e líquida dos clubes do Mineiro 2017, de acordo com os borderôs (clique para ampliar)