Um pequeno aumento das taxações da produção das mineradoras significa um aumento dos custos dos projetos das companhias, disse, nesta quarta-feira, 25, Clovis Torres Junior, consultor geral da Vale e conselheiro titular do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), durante apresentação no Congresso Brasileiro da Mineração, em Belo Horizonte, MG.

"Qualquer porcentual cobrado a mais pelos Estados é um custo adicional nos projetos, que muitas vezes estão em locais muito difíceis de exploração", disse Torres.

O consultor da Vale destacou que a discussão sobre o aumento das alíquotas cobradas ao setor no Brasil acontece em um momento em que o super ciclo da mineração mundial "parece estar um pouco atrás". "Mas estamos longe de estar em um momento ruim para a mineração", disse.

No mesmo evento, o global Leader da Indústria da Mineração do McKinsey & Company, Harry Robinson, disse que as margens de rentabilidade vistas no passado pelas mineradoras ao redor do mundo não deverão retornar aos níveis já vistos no passado.

O especialista afirmou que os preços dos insumos seguem elevados, mas esse fator não tem se traduzindo em aumentos das margens. Robinson destacou que os custos de produção das mineradoras estão subindo, já que, a cada dia, as empresas têm de ir mais "fundo" para explorar. Além disso, Robinson disse que o cenário de volatilidade para o setor deverá permanecer no mercado.

Em relação especificamente ao minério de ferro, o especialista disse que os preços não devem mais decolar como já aconteceu no passado, mas as margens devem ser ainda altas.

O executivo disse ainda que os governos de países ficam quase três anos atrasados em relação ao mercado quando colocam novos marcos regulatórios em vigor. Segundo Robinson, os governos observam, por exemplo, os elevados lucros das empresas, diante de um ciclo de alta do setor. A partir desta constatação, o governo passa a estudar, analisar e discutir uma forma de captar esse crescimento e quando chega a um desenho final de um marco isso ocorre com aproximadamente três anos de atraso sobre quando iniciou os estudos. Ou seja: o mercado já está, após esse período, em um outro momento, disse.

Em muitos países em que houve aumento de impostos para mineradoras, os investimentos caíram, segundo ele. Ele citou o caso de Alberta, no Canadá, em que o aumento da taxação levou a uma queda de 41% dos investimentos, enquanto outros Estados passaram a receber maiores aportes do setor. "A volatilidade regulatória é um inimigo do sucesso para investimentos e para a competitividade. É importante criar um ambiente estável".

Estrangeiros

A abertura para investimentos estrangeiros é um fator fundamental para o sucesso da indústria mineral, na avaliação de Pierre Graton, presidente da Associação Canadense de Mineração (Mac, na sigla em inglês). Segundo ele, esse foi um dos pontos chave para o sucesso da indústria mineral canadense. "Sem os investimentos estrangeiros, nossa indústria não se tornaria o que é hoje", frisou.

"Ao mesmo tempo que recebemos investimentos, também somos grandes investidores no exterior e nós queremos as mesmas regras no exterior daquelas que temos no ambiente doméstico", disse, lembrando que o Canadá possui livre comércio com os Estados Unidos, México, Chile e a Colômbia.