Num 1º de agosto, há exatos 20 anos, América e Corinthians abriam, no antigo Independência, uma competição que entraria para a história não só por celebrar uma data específica (e, por isso, não ter repeteco), mas por trazer a Belo Horizonte duas das mais tradicionais equipes do futebol mundial.

O primeiro século de existência da capital mineira seria celebrado, entre outras iniciativas, pela Copa Centenário que reuniu, ao lado dos três principais mineiros; Flamengo, Corinthians, Olímpia (Paraguai) e os gigantes europeus Benfica e Milan. Chance única, em tempos nos quais a internet ainda engatinhava, de acompanhar de perto alguns dos principais jogadores do período.

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Nos bastidores, no entanto, nem tudo saiu como previsto. A Federação Mineira de Futebol (FMF) esperava contar com o suporte financeiro da Prefeitura, o que não se concretizou, e a ligação de integrantes do comitê organizador com um suposto esquema de venda de resultados no Campeonato Brasileiro acabou por afugentar grandes patrocinadores – apenas o cachê para que o rubro-negro milanês incluísse o torneio em sua pré-temporada foi estimado, à época, em US$ 1 milhão.

Para completar o cenário, o Cruzeiro vivia o clima de decisão da Libertadores (que conquistaria), e optou por mandar a campo um Expressinho, em que se destacariam o atacante Fábio Júnior e o meia Geovanni, ainda com idade de juvenil.

Problemas à parte, a bola rolou. Os italianos, então comandados por Fabio Capello, trouxeram um esquadrão em que se destacavam o liberiano George Weah (melhor do mundo dois anos antes); os zagueiros Maldini e Costacurta; os meias Albertini, Savicevic e Boban e o atacante holandês Patrick Kluivert. À frente da delegação, além do então vice de futebol Adriano Galliani estava Dino Sani, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1958 e que, mais tarde, defendeu o Milan. No Benfica, as atrações eram o goleiro belga Preud’Homme e o meia boliviano Erwin ‘Platini’ Sánchez, além do mais que conhecido Paulo Nunes.

Atlético, Milan, Corinthians e América estavam no Grupo A, enquanto Cruzeiro, Benfica, Flamengo e Olimpia formavam o B. Com apenas uma semana de torneio, os primeiros de cada chave se enfrentariam diretamente na decisão. O confronto entre Atlético e Milan, pela segunda rodada (2 a 2), no Mineirão, diante de mais de 30 mil pessoas, marcou a despedida de Toninho Cerezo dos gramados.

Clássico
Com três empates, os milaneses fizeram as malas antes do que se imaginava, enquanto o alvinegro avançava. Do outro lado, o misto celeste (que contou com o heroi da Libertadores Elivélton na estreia) também fazia bonito, o que fez de mais uma edição do clássico a grande final.

Cerca de 40 mil pessoas viram anfitriões, os nada amistosos com os visitanters, se enfrentarem pelo título no Mineirão. Leandro abriu o placar para o Atlético, no fim da primeira etapa. Odair empatou, mas Valdir (do Bigode), definiu a vitória atleticana, com direito inclusive a festa na Praça Sete.

Curiosamente, a partida não faz parte das estatísticas do confronto pelo lado celeste, sob a alegação de que a equipe do Barro Preto não foi representada pelo grupo titular.