Jogar em casa nesta Copa do Brasil tem sido sinônimo de triunfo para o modesto Murici, equipe alagoana que surpreendeu Juventude e América no mata-mata, e que agora terá o Cruzeiro pela frente na competição. Tido como o clube com o elenco mais valioso do futebol brasileiro em 2017 de acordo com o site Transfermarkt – especializado em avaliar preço de mercado de atletas –, o esquadrão celeste colocará à prova suas estrelas, que terão dificuldades com o gramado precário do estádio José Gomes da Costa, palco do jogo desta quarta-feira, às 21h45, no município de Murici. 

Belo Horizonte fica a quase dois mil quilômetros da cidade de Murici. Lá, a Raposa encontrará um estádio totalmente diferente do Mineirão. Já que o diretor de futebol celeste, Klauss Câmara, disse que o clube mineiro não conhece o modesto campo do José Gomes da Costa, o Hoje em Dia ouviu representantes do Juventude e do América, clubes eliminados pela equipe alagoana na primeira e segunda fase respectivamente, da Copa do Brasil. Membros dos clubes gaúcho e mineiro contam o que viram no estádio de uma forma geral.

“Estádio em si não é o problema, o vestiário é pequeno, mas comportará o time visitante. Claro, sem a estrutura a qual o Cruzeiro certamente está acostumado (veja abaixo foto do banco de reservas). De fato o grande prejuízo à técnica do jogo é causado pelo gramado, de qualidade muito ruim. A grama é de jardim, tem corte irregular, e a bola não rola direito, desacelerando o jogo. Há muitos buracos no campo, que é seco e duro”, disse ao Hoje em Dia o diretor executivo do Juventude, Flávio Campos. 

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O dirigente do time gaúcho também cita outro problema que o Cruzeiro poderá sofrer. Entretanto, afirma que o fato de o time ter o direito de fazer o jogo da volta em casa é um “benefício”. “O calor também é algo a ser destacado, mas como o Cruzeiro terá o benefício do jogo de volta, a situação será diferente da que viveu o Juventude e o próprio América, pois vai decidir sua vida em casa”, 

O dirigente do time de Caxias do Sul reclamou também do formato da Copa do Brasil. “Acredito que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deveria mudar o regulamento no ano que vem. Pergunto, qual a vantagem que um time melhor ranqueado tem em jogar a primeira fora de casa, com o empate favorável? Acredito que seria melhor jogar em casa, sendo o empate o critério para o visitante”, explicou Campos. 

Após ter sido eliminado nos pênaltis pelo Murici, o técnico Enderson Moreira fez duras críticas ao piso do estádio do Murici. Tudo o que disse o treinador americano condiz com a fala de Flávio Campos. 

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Em contato com o Hoje em Dia, o assessor de imprensa do Coelho, Carlos Cruz, também conta o que viu no estádio em Alagoas. “O gramado é muito ruim, irregular, com uma grama mista e alta, que camufla os buracos. A bola não rola normalmente. Hoje, quase sempre, os clubes treinam e atuam em campos bem cuidados. Os jogadores reclamaram demais, pois o domínio da bola e a troca de passes são prejudicados”, revela Cruz, que esteve no estádio José Gomes da Costa há duas semanas.

Alvo de muitas críticas, o Murici, por meio de sua conta oficial no Facebook, publicou uma nota de repúdio pelas insinuações sobre a situação precária de seu estádio.

“O Estádio José Gomes da Costa – casa do Murici F. C. –, que também foi alvo de críticas, tem total condições de receber qualquer partida de futebol, uma vez que foi inspecionado, aprovado e recebeu alvará pelos órgãos de fiscalização (Corpo de Bombeiros e Federação Alagoana de Futebol), e atualmente está sediando jogos do Campeonato Alagoano. É importante frisar que não houve manobra para que o jogo entre Murici e Cruzeiro fosse realizado em nosso estádio. Simplesmente o mandante da primeira partida da fase – no caso, o Murici F. C. – decide onde quer jogar, sob condições preestabelecidas pela CBF. Não abrimos mão de atuar em nossa casa!”, diz trecho da nota.

Os adversários do Murici até aqui entendem bem essa prerrogativa da CBF. “Legalmente o Murici tem condição de jogar em sua casa. O estádio está aprovado pelas autoridades e pela CBF. Independentemente da qualidade e estrutura do estádio, o jogo pode acontecer lá”, reitera Flávio Campos. 

Diretor de futebol do Cruzeiro, Klauss Câmara também posicionou-se sobre o jogo acontecer em um acanhado estádio.

“Eu e o Tinga estivemos presentes na CBF, conversamos com as pessoas responsáveis, o presidente da nossa Federação (Mineira de Futebol, Castellar Guimarães Neto) foi acionado. E o que está acontecendo, nada mais é, do que um regulamento sendo cumprido. Não existe nenhuma manobra para que esse jogo acontecesse lá (em Murici), ou do presidente da Federação Alagoana ou do presidente do clube, não foi feito manobra. O que está sendo feito é o que está no regulamento, que permite até a terceira fase estádio com capacidade inferior a 10 mil torcedores”, disse em entrevista na Toca II na última segunda-feira (6).