Chegar a uma final de Copa do Mundo não é para qualquer um. Mais precisamente, para apenas 13 países em toda a história. Ter aumentado esse número já parece um feito digno de comemoração por parte da jovem seleção da Croácia, mas Luka Modric e companhia ainda pretendem ir além.

A equipe liderada pelo camisa 10 do Real Madrid engrossou a seleta lista nesta quarta-feira (11), ao vencer a Inglaterra por 2 a 1 e se credenciar pela primeira vez ao título mundial. Na decisão, o novato uniforme xadrez estará diante do tradicional azul da França, campeã em 1998 e vice em 2006.

Já estamos na história. Mas talvez esta seja a nossa chance de ganhar. Nós estamos motivados, sem pressão e fortalecidos mentalmente. Não tememos ninguém”

Zlatko Dalic,
técnico da Croácia

A inédita e até aqui única conquista dos Bleus, inclusive, traz grandes lembranças (boas e ruins) a esta nova geração dos Bálcãs. Há 20 anos, a nação recém-separada da Iugoslávia encantava o planeta com um terceiro lugar em cima da Holanda, logo na participação inaugural em Copas.

Por outro lado, se a atual campanha na Rússia já garante a melhor colocação do país no torneio, a culpa é justamente da França. Com Davor Suker e Didier Deschamps em campo, as duas seleções fizeram uma das semifinais daquela edição, e os anfitriões levaram a melhor (veja os gols abaixo).

O inspirado camisa 9, hoje presidente da Federação Croata de Futebol, abriu o placar para ampliar a própria artilharia e alimentar o sonho dourado. Mas o time do ex-volante e atual treinador dos Bleus virou a partida e avançou para erguer o troféu diante do Brasil.

Tradição?

A geração eternizada por Suker e Boban surpreendeu ao despachar adversários fortes durante a caminhada em solo francês. Passou pela Romênia de Hagi e Popescu (uma das sensações da Europa na década de 1990) e pela Alemanha antes de vencer a Laranja Mecânica por 2 a 1 na disputa do terceiro lugar.

Nos Mundiais seguintes, porém, a Croácia não conseguiu sequer passar da fase de grupos (2002, 2006 e 2014), além de ter caído ainda nas Eliminatórias em 2010. Agora, os coerdeiros da tradicional escola iugoslava têm a chance de provar que não são apenas uma "zebra" sazonal.

Vale lembrar que o país dissolvido no fim do século passado chegou a duas semifinais de Copa (1930 e 1962) e a dois vice-campeonatos europeus (1960 e 1968), além de ter conquistado o título olímpico nos Jogos de Roma-1960 e o Mundial Sub-20 em 1987.

'Freguesia'

França e Croácia se enfrentaram somente uma vez na história das Copas. O retrospecto geral, no entanto, já registra cinco confrontos. E os eslavos jamais saíram vitoriosos.

Além do duelo eliminatório no Mundial de 1998, as duas seleções também disputaram uma partida com gosto de “mata-mata” para os croatas na Eurocopa de 2004.

Na ocasião, o time de Niko Kovac e Dado Prso ficou no empate por 2 a 2 diante da equipe de Zinedine Zidane e Thierry Henry (acabaria eliminado na fase de grupos do torneio).

As seleções realizaram ainda três amistosos, com dois triunfos da França e mais um empate. Ao todo, o time quadriculado marcou três gols e sofreu nove.

 

FICHA DO JOGO

FRANÇA 2 X 1 CROÁCIA

França: Fabien Barthez; Lilian Thuram, Marcel Desailly, Laurent Blanc e Bixente Lizarazu; Didier Deschamps, Christian Karembeu (Thierry Henry), Emmanuel Petit e Zinedine Zidane; Youri Djorkaeff (Frank Leboeuf) e Stephane Guivarch (David Trezeguet). Técnico: Aimé Jacquet

Croácia: Drazen Ladic; Dario Simic, Igor Stimac e Slaven Bilic; Mario Stanic (Robert Prosinecki), Zvonimir Soldo, Aljosa Asanovic, Zvonimir Boban (Silvio Maric) e Robert Jarni; Goran Vlaovic e Davor Suker. Técnico: Miroslav Blazevic

Motivo: Semifinal da Copa do Mundo de 1998
Gols: Suker, a 1, e Thuram, aos 2 e aos 25 minutos do segundo tempo 
Data: 07/07/1998
Local: Stade de France (Saint-Denis)
Público: 76 mil presentes
Arbitragem: Jose Maria Garcia (Espanha)
Cartões amarelos: Asanovic, Stanic e Simic
Cartão vermelho: Blanc (31 minutos do segundo tempo)