A nova diretoria já deu o recado: vai se politizar e não ficará em cima do muro, mesmo em assuntos polêmicos e que não tenham o futebol como detalhe principal. Desde o dia 10 de fevereiro o Cruzeiro lançou campanha contra o assédio sexual no Carnaval. E como garotos-propaganda usou os próprios jogadores do clube para fortalecer ainda mais o tema.

“Se você quer e ela quer, gol de placa. Se você quer e ela não, não dê bola fora”. Com essa frase o Cruzeiro abriu a campanha, aliando o futebol e o combate ao abuso contra mulheres na folia.

 

 

O texto foi divulgado tanto em peça gráfica quanto em vídeo, gravado pelo atacante Rafael Sóbis, e divulgado no primeiro dia da campanha (10 de fevereiro, sábado de Carnaval).

Além de Sóbis, o uruguaio Arrascaeta, o argentino Lucas Romero e o meio-campista Robinho gravaram vídeos de conscientização. Material publicado no Twitter, Instagram e Facebook oficiais do Cruzeiro.

“O sorriso dela é mais bonito que meu gol? Chega na moral, mas sem botar pressão. Assédio é crime”, disse Arrascaeta, autor de um golaço contra o América no Campeonato Mineiro.

 

 

“Puxar a mina pelo cabelo é mais feio que gol contra. Diga não ao assédio”, Robinho mandou o recado. 

 

 

Já o volante Lucas Romero enfatizou: “Não é não. Se você insistir é gol contra. Assédio é crime, denuncie”.

 

 

Vários torcedores elogiaram o engajamento do Cruzeiro na campanha contra o assédio sexual. “Parabéns pela iniciativa”; “Eu estou amando esses vídeos”; “orgulho demais”.
Entretanto, houve também quem contrariasse o conteúdo. “Tá chato, nada pode. Só pode o que não presta (sic)”, opinou um torcedor, que ainda disse mais: “Não basta a cultura da identidade de gênero, agora nem abordar uma garota é possível”.

Outro pegou ainda mais pesado: “Campanha forçada demais.... maioria das mina são umas vagaba que vão pros blocos pra pegar geral tb (sic)”, publicou. 

Campanha

Dentre os clubes de Minas Gerais apenas Cruzeiro e América se engajaram na campanha contra o assédio no Carnaval. O Coelho, mesmo que de forma tímida e em apenas um tuíte, resumiu o que os torcedores deveriam fazer na folia.

“O #Coelhão já está na folia. Então, bora curtir o Carnaval com RESPONSABILIDADE. Camisa do Coelho no bloquinho. Danone liberado, mas se beber, não dirija! Hidrate-se (beba muita ÁGUA); E lembre-se: NÃO é NÃO!”, publicou o América em seu Twitter oficial.

 

 

Engajamento

Desde o ano passado o Cruzeiro mostra engajamento no combate à violência contra a mulher. No dia Internacional da Mulher, em 2017, a Raposa lançou campanha que foi premiada com o Leão de Bronze, na categoria “Meio de Comunicações”, no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França.

Na partida contra o Murici-AL, na trajetória que levou o time celeste ao pentacampeonato da Copa do Brasil, os jogadores do Cruzeiro usaram uniforme em que os números de suas camisas destacavam estatísticas sobre a realidade das mulheres no Brasil. “A cada 2h uma é morta”; “A cada 10 jovens, 8 sofreram assédio”; A cada 11 minutos, um estupro”, diziam algumas das frases estampadas nas camisas dos atletas.

No fim de 2017, na cerimônia de posse da nova presidência do clube, o novo departamento de marketing promoveu um espetáculo de dança com bailarinos do grupo O Corpo. A apresentação gerou vários comentários, muitos deles homofóbicos, outros de exaltação pela ação, e mostrou o tom que os dirigentes adotarão neste mandato que vai de 2018 a 2020.