Quando Oswaldo de Oliveira foi demitido na sexta-feira passada, o Atlético decidiu por um nome como prioridade na busca do substituto: Cuca. O treinador chegou à declarar que não havia sido procurado por oferta formal. Mas o diretor de futebol do clube mineiro, Alexandre Gallo, revelou ao Hoje em Dia que ligou para o campeão da Libertadores 2013 e, num bate-papo superior a uma hora, esgotou todas as argumentações para convencer o técnico.

Cuca não voltará ao Atlético, pelo menos neste momento. Segundo Gallo, há duas questões, uma relacionada à outra, para Cuca optar por adiar a volta o time no qual ainda é uma referência para a torcida: o tempo com a família e a Copa do Mundo da Rússia.

O treinador que deixou o Palmeiras no fim de 2017 só quer voltar ao futebol após o Mundial 2018 (entre 15 de junho e 15 de julho), conforme foi noticido pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho. Fato é que Gallo agora volta ao mercado para buscar um novo comandante para o time alvinegro, que vive momento de turbulência neste começo de ano.

"Estamos falando com o representante do Cuca desde sexta-feira. Era o 'número 1', eu inclusive coloquei esse nome, já era intenção do Sérgio também. Acho que a intenção de toda a torcida. Mas eu, particularmente, queria muito a vinda dele, por todas as característica (...) Hoje, inclusive, falei com o Cuca por mais de uma hora no telefone. Ontem falei três vezes com o Eduardo Uram, que estava em viagem aos EUA. Falei com ele hoje (segunda-feira) de manhã, novamente", disse Gallo, ao HD.

Neste primeiro contato direto com Cuca, através de mensagems de whatsapp e também na ligação formal, Alexandre Gallo tentou convencer o treinador de voltar ao clube mineiro e, mesmo empregado, conseguir conciliar a função profissional com a viagem à Rússia. Mas Cuca, nas palavras do diretor de futebol, preferiu não afetar de nenhuma maneira o planejamento familiar.

"Falei com o Cuca sobre aspectos específicos do time, gostou das contratações, dos estilos dos atletas.. Foi muito bacana e acessível na conversa. Só que, efetivamente, hoje, tentamos criar várias situações, mas ele está pensando em trabalhar ou só depois da Copa do Mundo, ou no início do ano que vem. Agradeceu a procura, gosta do Atlético e sabe que voltará um dia. Esgotamos hoje tudo que tentamos desde sexta-feira", disse Gallo.

"Ele realmente citou essa questão que ele não quer e não pode, tem compromisso com a família. Tem uma neta de seis meses, eu acho. E que ele está focado nisso. Pela primeira vez combinou com a família essa viagem mais longa para a Rússia, já comprou os ingressos, e tudo. E fica inviável essa vinda dele agora, no momento", completou.

BUSCA DO ZERO
Segundo Gallo, o Atlético só entrou em contato com Cuca e seu representante na busca pelo substituto de Oswaldo de Oliveira. Encerrada as tratativas (fracassadas) de retornar com o campeão continental pelo clube, o Galo agora seguirá na busca do "plano B". Perguntado sobre Abel e Felipão, o diretor de futebol negou que tenha buscado o técnico do Fluminense, e preferiu não externar sobre nomes que possam ser buscados.

Vale ressaltar que Alexandre Gallo foi olheiro de Felipão na última Copa do Mundo. Inclusive, a goleada de 7x1 para a Alemanha teria gerado atrito entre os dois. Gallo fez relatório indicando que a escalação do Brasil na semifinal deveria ter um volante a mais, e Fred no banco de reservas. Esse relatório "vazou" após o massacre, criando um clima ruim entre Gallo e Scolari.

CONFIRA, NA ÍNTEGRA, A ENTREVISTA DE GALLO AO HOJE EM DIA:

Hoje em Dia: O Cuca havia dito que não foi procurado, e que parecia até mesmo irritado com algumas coisas. O Atlético falou com ele?
Gallo: Foi um excesso de erros nesta comunicação. Estamos falando com o representante do Cuca (Eduardo Uram) desde sexta-feira. Era o 'número 1', eu inclusive coloquei esse nome, já era intenção do Sérgio também. Acho que a intenção de toda a torcida. Mas eu, particularmente, queria muito a vinda dele, por todas as características. Se você pegar a minha entrevista coletiva após o jogo, eu dei toda a característica de um treinador igual ao Cuca. Marcação lá na frente, intensidade, de luta, com essa necessidade de colocar velocidade em jogo. Era exatamente isso que buscávamos nele. Não só por tudo que já fez pelo Atlético, mas pela características de trabalho dele mesmo, pela características que montamos o elenco. Encaixaria perfeitamente.

Atlético conversou direto com o Cuca, então?
Hoje, inclusive, falei com o Cuca por mais de uma hora no telefone. Ontem falei três vezes com o Eduardo Uram, que estava em viagem aos EUA. Falei com ele hoje de manhã, novamente. Falei com o Cuca sobre aspectos específicos do time, gostou das contratações, dos estilos dos atletas. Foi muito bacana e acessível na conversa. Só que, efetivamente, hoje, tentamos criar várias situações, mas ele está pensando em trabalhar ou só depois da Copa do Mundo, ou no início do ano que vem, entendeu?. Agradeceu muito a procura, ele gosta muito do Atlético e sabe que voltará um dia. Esgotamos hoje tudo que tentamos desde sexta-feira.

Então ele não tinha disponibilidade de assumir de imediato? O trabalho foi tentar convencê-lo a vir agora?
Ele até falou que mais para frente, e tal... Mas disse que tínhamos a necessidade agora pelo estilo do time que temos hoje. Acho que encaixaria perfeitamente. Ele também acha, gostou dos atletas que teria. Acha que o time é bom, que contratamos no caminho. Foi muito bacana. Conversamos sobre várias coisas de futebol. Foi mais de uma hora. Mas como o Uram começou ontem de manhã a conversa comigo, e já tinha conversado com uma outra pessoa ligada a gente também, no sábado e acho que na sexta-feira. Conversei três vezes com Eduardo Uram e tentamos de tudo. A última tentativa foi falar direto com o Cuca mesmo. Ele realmente citou essa questão que ele não quer e não pode, tem compromisso com a família. Tem uma neta de seis meses, eu acho. E que ele está focado nisso. Pela primeira vez combinou com a família essa viagem mais longa para a Rússia, já comprou os ingressos, e tudo. E fica inviável essa vinda dele agora, no momento.

E agora o Atlético recomeça a busca por um novo treinador...
Tentamos esgotar todas as fichas. E agora vamos partir para outras situações. (Já há novos nomes na pauta?) Sim. Mas o primeiro nome, sem dúvida, era o dele. Era unânime, todos nós queriamos o retorno dele, pelas características, dele, por tudo que ele fez, e pelas características do nosso grupo.

Abel Braga informou, através da assessoria, que não poderia aceitar convite do Atlético. Ele foi procurado?
Ele não tinha sido procurado. Não procuramos ninguém até esgotar todas as situações do Cuca. Ninguém foi procurado até esgotar. Não é verdade. Falaram isso acho que sábado. Mas não aconteceu isso. Esgotamos hoje com o Cuca, a partir de agora, começamos a dar novo direcionamento, mas não externamos, porque é coisa nossa. A tentativa, até hoje, foi única e exclusivamente o Cuca.

O prazo dito por você - de terça-feira - para anunciar o novo treinador pode se estender?
A gente tinha quase que certeza que aconteceria essa vinda dele. Por isso falei a questão do prazo. Porque ele não está empregado. E a gente entende que ele iria querer, dentro da questão nossa. Hoje eu tentei, nos falamos por Whatsapp, depois por telefone. Entendi o lado dele. Insisti muito, pela nossa amizade, de ter jogado junto (No Santos, em 1993). E mantemos essa amizade, o tenho como parceiro e queria muito que a gente trabalhasse muito.

Felipão é um nome em pauta? Por você ter trabalhado com ele na Copa do Mundo...
Deixa eu te falar uma coisa. Estou falando sobre o Cuca porque tentamos de tudo, e era o número um, todo mundo queria. Agora passamos a partir para outras ações, a partir de hoje. Porque conversei com ele (Cuca) mais cedo e não teve a condição. Agora, qualquer outro nome que aparecer, acaba sendo essa conversa... por exemplo, essa conversa com o Abel de sábado, não teve absolutamente nada, absolutamente nada. Agora vamos partir para outra frente.

Atualizada às 18h53*