Num fim de semana marcado por decisões de Estaduais, grandes equipes do país não conseguiram confirmar a superioridade contra adversários considerados inferiores. Em Minas, Atlético e Cruzeiro não escaparam do cenário, que tende a se repetir no próximo domingo. A maratona de jogos importantes e o desgaste físico são uma mistura que põe em risco o rendimento dos gigantes.

Raposa e Galo ficaram no empate com América e URT, respectivamente, nos confrontos de ida pelas semifinais do Campeonato Mineiro, depois de terem ido a campo durante a semana anterior, em partidas decisivas de Copa do Brasil e Libertadores.

No time celeste, o fôlego está em baixa, conforme apontaram os próprios jogadores. A diretoria do clube bateu o pé, e a Federação Mineira (FMF) marcou o segundo duelo com o Coelho para as 18h de domingo, quando uma possibilidade seria o horário das 11h.

A equipe de Mano Menezes é de fato a mais desgastada dentre os quatro semifinalistas do Mineiro, com média de um jogo a cada 3,6 dias nesta temporada, uma diferença grande em relação ao América (4,7).

Já o Galo vive uma rotina um pouco mais confortável que o arquirrival, com um intervalo médio de 4,5 dias. Na comparação com a URT, porém, o desgaste é consideravelmente superior (5,9).

“O jogador de futebol tem um desgaste diferente de um profissional do atletismo. Ele muda de direção a toda hora, leva pancadas e choques. Isso provoca um desgaste maior”

Emerson Silami, ex-fisiologista da Seleção

Replay

Os dois gigantes terão novas decisões amanhã. O Cruzeiro recebe o São Paulo às 19h30, no Mineirão, e o Atlético encara o Libertad às 21h45, no Paraguai. E ambos devem utilizar basicamente as mesmas escalações que foram a campo no fim de semana.

“São jogos em sequência, e o cansaço é cumulativo. Junta não só a partida em si, mas toda a logística de viagem. Os jogos terminam tarde ou são disputados sob sol forte”, comenta o preparador físico da Raposa, Quintiliano Lemos.

“Temos que pensar que essa rotina só acaba em dezembro. Os jogadores correm uma maratona por semana, e o trabalho para recuperar esses atletas envolve muitos departamentos dos clubes”, completa.

Mano Menezes escalou praticamente as mesmas peças para enfrentar o São Paulo, no Morumbi, e o América, três dias depois, no Independência. A única mudança foi o retorno de Rafael Sóbis ao time titular após ter sido preservado na Copa do Brasil. O camisa 7, inclusive, foi um dos atletas cruzeirenses que classificaram a maratona de jogos como primordial para o empate no Estadual.

Já o Atlético não pôde colocar em ação diante da URT o meia Luan (lesionado) e o atacante Fred (suspenso). Mas ambos foram substituídos por jogadores que também haviam sido acionados contra o Sport Boys, pela Libertadores. Titular na semifinal do Estadual, o meia Cazares saiu do banco ainda no primeiro tempo da partida anterior, na vaga de Luan.

Pouco tempo

Após o empate com o time de Patos de Minas, a delegação do Atlético treinou ontem e já viajou para Assunção, onde fará apenas uma atividade antes de encarar o Libertad, amanhã à noite.

“O problema grande do futebol é que você tem os jogos, as viagens, o dia que antecede o jogo e o dia seguinte. Viajando, você não consegue treinar. E, quando tem jogo duro no outro dia, não pode treinar hoje”, afirma Emerson Silami, fisiologista com passagem pela Seleção Brasileira.

“O retorno a campo também fica comprometido, porque o atleta não tem a alimentação e o repouso adequados. O organismo precisa de tempo”, acrescenta o especialista.

Desgaste Atlético Cruzeiro