A Federação Italiana de Futebol (FIGC, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira que um trecho do "Diário de Anne Frank" vai ser lido antes das partidas pelas competições nacionais nesta semana para condenar os atos de antissemitismo de torcedores da Lazio e para manter vivas as memórias do Holocausto.

A FIGC também explicou que um minuto de silêncio será realizado nos jogos das três primeiras divisões do futebol italiano nesta semana, além de partidas amadoras e das divisões de base. A ação da federação se dá após torcedores da Lazio afixarem em um setor do Estádio Olímpico imagens de Anne Frank, autora do diário e que foi uma das vítimas do Holocausto, com uma camisa da Roma, o clube rival.

"Vejo o mundo ser lentamente transformado em uma região selvagem, eu ouço o trovão que, um dia, nos destruirá também, sinto o sofrimento de milhões. E, no entanto, quando olho para o céu, eu, de alguma forma, sinto que tudo mudará para melhor, que essa crueldade também deve terminar, que a paz e a tranquilidade retornarão mais uma vez", afirma o trecho do diário que vai ser lido.

O comportamento dos torcedores Lazio repercutiu para além do mundo esportivo, com forte condenação de autoridades políticas. Foi o caso do chefe do Parlamento Europeu, o italiano Antonio Tajani. "Usar a imagem de Anne Frank como um insulto contra os outros é um assunto muito grave", declarou.

As imagens de Anne Frank com a camisa da Roma foram afixadas após o jogo entre Lazio e Cagliari na Curva Nord, setor do Estádio Olímpico que estava interditado nessa partida por causa de manifestações racistas da torcida - o time ainda tem um jogo da pena para cumprir.

O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, alertou para que os atos dos torcedores da Lazio não sejam subestimados. "É inacreditável, inaceitável e não pode ser minimizado", disse.

Diante da repercussão do ato, o presidente da Lazio, Claudio Lotito, visitou uma sinagoga nesta terça-feira e prometeu que o clube vai promover uma nova campanha de educação ao antissemitismo. Ele tentou dissociar a equipe da ação do grupo de torcedores e também anunciou que a Lazio organizará uma viagem anual para o campo de concentração de Auschwitz com cerca de 200 jovens torcedores para "educá-los para não esquecerem".