Para além das lágrimas que percorreram o mundo ao denunciar o tratamento da imprensa francesa, a presença de Neymar na coletiva de imprensa após amistoso entre Brasil e Japão, na sexta-feira (10), soou como um "mea-culpa" destinado a assumir erros para evitar repeti-los no futuro, o que poderia comprometer a seleção brasileira.

Antes da vitória por 3 a 1 sobre o Japão, em amistoso realizado em Lille, o técnico Tite pediu para os jogadores imaginarem que "já estavam no Mundial". 

Depois da partida, muitos se perguntam o que teria acontecido com Neymar na Copa do Mundo 2018, depois de dar um murro no rosto do japonês Hiroki Sakai durante disputa de bola.

Reagir ao jogo duro

Aos 10 minutos do segundo tempo, o árbitro francês Benoit Bastien decidiu consultar o assistente de vídeo (VAR), punindo o atacante com um cartão amarelo após revisar as imagens de televisão.

Mas o que poderia acontecer na Rússia se Neymar repetisse o gesto e o árbitro tivesse interpretação diferente? 

Em um torneio curto como a Copa do Mundo, uma expulsão ou suspensão de vários jogos pode arruinar o futuro de uma seleção, o que é o maior temor do Brasil em relação ao seu principal jogador.

Na coletiva de imprensa, Tite reconheceu ter conversado com o jogador sobre o problema. Ambos se falaram após o clássico francês do dia 22 de outubro, quando Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain empataram em 2 a 2. Na ocasião, Neymar foi expulso após pedir satisfações ao sofrer falta agressiva.

"Todo mundo tenta pará-lo com faltas e ele reage, mas falei com ele sobre isso", disse Tite.

O próprio Neymar, sentado ao lado do treinador, fez exame de consciência: "quero pedir desculpas por meus erros, porque quando você é um grande jogador, um ídolo, é exemplo pra muita gente. Você precisa ser perfeito e com frequência eu não sou. Sou um cara de 25 anos que ainda precisa aprender muito no futebol".

"Cometi muitos erros e peço desculpas. Sei que preciso mudar, progredir. Sou um ser humano, choro e às vezes acordo de mau humor. Apesar da maior parte do tempo estar feliz", acrescentou o camisa 10.

Mas a manchete que saiu da coletiva de imprensa no estádio Pierre Mauroy foi o pedido para que deixem de publicar histórias que não tem razão de ser.

"Eu quero que desde já parem de inventar histórias de que estou com problemas com Cavani, com o treinador. Eu vim para ajudar, para contribuir, vim para ajudar meu treinador", insistiu Neymar. "Essas coisas me incomodam e estou aqui para pedir que parem de inventar histórias", continuou o jogador.

Resposta francesa

Na quarta-feira, o diário especializado francês L'Équipe afirmou na matéria de capa que "existe um abismo" entre Neymar e seu técnico Unai Emery. Neste sábado, o jornal respondeu as acusações de perseguição de Neymar.

"Neymar, a lágrima no olho", colocou na manchete o jornal, qualificando as palavras do jogador como "uma forma de desmentir globalmente, suficientemente impreciso para não expor com claridade os fatos".

O L'Equipe "evidentemente mantém suas informações", acrescentou o diário esportivo.

Sport, jornal esportivo da Catalunha que havia informado sobre a pergunta de Neymar sobre um suposto retorno ao Barcelona, publicou em sua manchete o seguinte título: "Neymar explode: parem já!", com foto do brasileiro chorando.

As lágrimas brotaram quando Tite pediu que continuasse em sala para escutar suas palavras. A estrela não aguentou a emoção e abraçou o treinador.

"É um ser humano e comete erros. Ninguém é perfeito. Mas quando tem um problema com alguém, se resolve dentro do vestiário. Realmente é um bom garoto", dedicou Tite, ciente de que grande parte do sonho do hexacampeonato mundial passa pelo equilíbrio emocional do atacante de 222 milhões de euros.