RIO DE JANEIRO – Os Jogos Olímpicos terminam hoje, e ainda pela manhã o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) divulgará um balanço sobre o desempenho da delegação nacional na Rio 2016. A expectativa da entidade era colocar o país-sede entre os dez melhores no quadro de medalhas. 

Em entrevista ao Hoje em Dia, na última quinta-feira, o diretor-executivo do comitê, Marcus Vinícius Freire, afirmou ainda acreditar na possibilidade de o Brasil encerrar esta edição dos Jogos no Top 10.

O que podemos esperar desse balanço final, e qual a percepção que o COB tem até o momento?
A primeira coisa que a gente precisa destacar é que fizemos os Jogos com a cara do Brasil. O que gente tem visto até o momento são todos os 205 países felizes, porque encontram no Rio de Janeiro uma festa com a nossa cara, tanto em relação à parte técnica, como em relação à recepção do brasileiro. Então, isso dá uma felicidade gigante.

E em relação à performance esportiva da delegação brasileira?
O Time Brasil, nas modalidades que já se encerraram, registrou atuações acima do que a história mostrava. Tivemos pela primeira vez o ciclismo, [ENTR_RESP]a canoagem slalome o levantamento feminino[/ENTR_RESP] entre o quinto e o sexto lugares, a marcha atlética em quarto, a cinco segundos da medalha. O levantamento de peso masculino também. Tem várias modalidades que o brasileiro não conhecia, como o badminton, o hóquei sobre grama... Isso é o que a gente consegue ver como uma grande mudança dos Jogos até aqui. A gente espera, no domingo, fazer esse balanço macro, com as modalidades que vieram com um objetivo maior do que um quarto, quinto lugar. Mas, até agora, estou super satisfeito com o que o Brasil está fazendo[/ENTR_RESP] nas competições.

Em algumas modalidades em que não tínhamos tradição de ganhar medalhas, ou nunca havíamos ganhado, estamos aparecendo no pódio. É o caso do salto com vara masculino. Como vê essa novidade para o esporte brasileiro?
São modalidades em que há surpresa para o grande público. Mas, para a gente, que está acompanhando o dia a dia, já era esperado. No salto com vara, o Thiago Braz havia sido medalhista da Juventude em 2010, e treina com o maior técnico da história do esporte no mundo, o Vitaly Petrov .

Qual é a avaliação das parcerias com treinadores estrangeiros, como na ginástica artística, na canoagem, no handebol e no polo aquático, entre outras modalidades?
Começamos isso lá no início do planejamento, em 2009, e vem dando muito certo. Independentemente dos resultados, eles fizeram a diferença que para o esporte brasileiro. E o que acontece paralelo a isso é que os treinadores brasileiros também crescem. Criamos a Academia Brasileira de Treinadores, juntando esses estrangeiros com os mais experientes brasileiros, para que uma nova geração de treinadores apareça no Brasil, na maioria das modalidades. Esse será um outro legado gigante, além das instalações que vão ficar aí para o uso dos atletas. Esperamos que aconteça a utilização mista, que é a proposta da Prefeitura do Rio e do Ministério dos Esportes, juntando alto rendimento e educação com uma brecha para o social.

Ainda acredita que a meta de o Brasil ficar entre os dez melhores seja possível de ser alcançada?
Continua da mesma forma. É difícil de ser alcançada, mas sempre foi, já era desde o começo. A meta foi traçada para ser difícil mesmo, mas é completamente factível. Mas depende, óbvio, dos adversários que estarão brigando pelo Top 10 até o fim.