Uma vida de viagens ao redor do mundo, lugares paradisíacos, os melhores restaurantes e, claro, muito futebol. Desde que saiu do Cruzeiro no início de 2015 para defender o Al Ahli (Emirados Árabes), o meia Éverton Ribeiro vive uma rotina diferenciada do outro lado do mundo.

Em Dubai, cidade moderna e futurista que mescla o arrojo da arquitetura com as paisagens desérticas, o ex-cruzeirense desfruta de uma vida de cinema, com a companhia de artistas famosos e prêmios individuais por sua performance em campo.

Abrindo o seu terceiro ano no time árabe, o jogador conta, em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, como tem sido sua agenda dentro e fora dos gramados nos Emirados.


O “mundo árabe” é um mistério para a maioria das pessoas do ocidente. Desde que chegou a Dubai, o que mais te surpreendeu e que o deixou impressionado?

A cidade aqui é impressionante, tem prédios e construções que poucas lugares no mundo têm igual. Uma cidade cosmopolita, onde se encontra tudo a todo momento. Foi bem fácil a minha adaptação, mesmo aqui sendo bem diferente do Brasil. Mas fui bem acolhido e me adaptei bem rápido a viver à minha maneira também. 


A cidade onde você vive ostenta muito luxo, grandes edifícios, restaurantes e hotéis cunhados em ouro. Um cenário que muitos só imaginam na tela do cinema ou nas novelas. Como é viver nesse mundo totalmente diferente da cultura brasileira?

Aqui é bem tranquilo de se viver. Gostamos muito de ir aos restaurantes, aqui tem muitos. Poucas coisas aqui são proibidas, nada que nos atrapalhe. Foi uma adaptação bem tranquila. 


O Roger Flores, ex-jogador do Cruzeiro e hoje comentarista de TV, teve experiência no Catar e disse que lá os estádios não ficam cheios nos jogos. Como é aí? 

Aqui em Dubai não tem isso. Os times têm uma boa estrutura e, pelo menos na minha equipe, todos são profissionais, não têm segundo emprego como pode ter acontecido ou ainda acontece em outras ligas. Antigamente eles faziam muito isso, mas hoje o futebol aqui é bem evoluído e totalmente profissional.


O próprio Roger disse que é preciso pagar o torcedor para que ele vá ao estádio. Em Dubai acontece a mesma coisa? 

Aqui os profissionais ganham bem, as equipes tiveram uma melhora muito grande em todos os aspectos. A gente consegue enxergar isso. Mas o diferente mesmo no Brasil é a torcida, aquele clima que envolve, ainda mais nos clássicos, os jogos importantes. Aqui a gente não sente muito isso. Mas temos pressões internas, cobranças para vencer. Isso existe em todo lugar, é do futebol.

Dentro e fora de campo, o que há de mais diferente entre o futebol brasileiro em relação ao que você vive hoje? E do que sente mais saudade do futebol brasileiro?

Realmente, a torcida é diferente do Brasil, gostam muito do futebol, mas acompanham mais os jogos de casa, pela televisão. Depois que eu cheguei, cresceu muito o público dentro do estádio, o torcedor começou a comparecer mais, muito pelos resultados que a gente alcançou nas competições. Mas isso de jogar com campo vazio acontece sim, e isso acaba prejudicando o campeonato.

“A cidade aqui (Dubai) é impressionante, tem prédios e construções que poucas lugares no mundo têm. Uma cidade cosmopolita, onde se encontra tudo a todo momento. Foi bem fácil a minha adaptação, mesmo aqui sendo muito diferente do Brasil”


Amigos seus de Belo Horizonte disseram que, mesmo em Dubai, você vez ou outra usa alguma roupa do Cruzeiro. Você tem noção do quanto a torcida celeste sente sua falta? Como tem sido o seu relacionamento com os cruzeirenses desde que deixou o Brasil?

O Cruzeiro é um lugar onde eu passei dois anos maravilhosos, não tem como esquecer. É uma gratidão enorme a todos, à torcida que sempre me apoiou. Sempre que posso, eu acompanho, torço para que os ex-companheiros que ainda estão no clube, grandes amigos, possam fazer bons jogos e dar alegria a todos.

Quando você atuava pelo Cruzeiro, existia um grupo de Whatsapp dos jogadores. Ainda existe algum grupo de mensagens entre vocês? Qual o nível de contato que você mantém com aqueles atletas de 2013 e 2014?

O grupo existe até hoje no Whatsapp, mantivemos esse contato. Quando falávamos que o grupo era unido, essa união não era da boca para fora, continua até hoje. Fazemos brincadeiras, mandamos mensagens para saber como um ou outro está. Vamos levar essa relação por muito e muito tempo. Foi bacana ter conhecido essas pessoas, tanto dentro quanto fora de campo. 

Desde o fim daquele “esquadrão” bicampeão brasileiro, o Cruzeiro não conseguiu se acertar novamente. Nos dois últimos anos, passou apertado e não conquistou títulos. De longe, você fica triste com o atual momento do clube? 

A gente segue, tenta acompanhar o máximo que dá. Vi que foram dois anos diferentes, que não conseguiram ganhar títulos. Mas vem melhorando e mostrando que tem condição de chegar, por ter grandes jogadores. Em 2017 virá forte, vai conquistar títulos e aumentar ainda mais a história de glórias do Cruzeiro.

O Alexandre Mattos foi uma peça importante na montagem do grupo bicampeão brasileiro com o Cruzeiro. Nesse ano, ele venceu mais um Brasileirão, agora pelo Palmeiras. E já tinha conquistado pelo time paulista a Copa do Brasil. Ele é um profissional diferente dos outros que existem no Brasil? 

O Alexandre Mattos é, sem dúvida, um excelente profissional, um amigo fora de campo. Me ajudou muito, confiou em mim, então, vejo o trabalho dele como muito diferenciado, um dos melhores na área dele no Brasil. Ele sabe montar elenco, sabe como tirar o melhor de cada jogador pela conversa. Creio que os títulos que ele conseguiu nos últimos anos não vieram à toa e só coroam os últimos anos dele e o trabalho que ele vem realizando.

Seu nome já foi veiculado recentemente em equipes como Flamengo e Palmeiras. Quando você pretende retornar ao futebol brasileiro? Já fez algum planejamento para que isso aconteça?

Fico feliz em ver o meu nome especulado em grandes times, equipes vencedoras. O Campeonato Brasileiro é de muita qualidade e visibilidade. Mais para frente eu voltarei, com certeza, pois o Brasil é a minha casa. Mas no momento eu acho difícil, até pelo time, que não facilitaria a minha liberação. Em outro momento, eu voltarei.

Como você viu essa troca de comando técnico na Seleção Brasileira? De um grupo desacreditado e em que poucos apostavam que se classificaria para a Copa de 2018, o Tite conseguiu mudar esse panorama. Chega a ser algo surpreendente para você, que sentiu a pressão trabalhando com o antigo treinador?

O Tite é um excelente técnico e mostra isso a cada ano que passa. Sabe muito, tanto psicologicamente quanto tecnicamente. Sabe tirar o melhor de cada jogador. Não é à toa que a Seleção atinge os resultados com ele. O Brasil tem excelentes nomes, sempre teve, e agora com essa motivação extra vai mostrar o melhor futebol e fazer um belo trabalho na Copa do Mundo da Rússia.

Por dois anos você foi o craque do Brasileirão, e hoje não é mais lembrado para vestir à amarelinha. Como se sente?

Tenho que continuar fazendo o melhor, sempre buscando me aprimorar, acrescentar novos dribles, mais habilidade. O futebol é dinâmico e precisamos estar prontos para as oportunidades. Se vier a chance de Seleção, vou aproveitá-la.