As perspectivas de Rússia e Egito na Copa do Mundo passam por figuras com papéis antagônicos. Apoiadas nas mãos de Igor Akinfeev e nos pés de Mohamed Salah, as duas seleções devem lutar entre si por uma das vagas do Grupo A nas oitavas de final.

A dona da casa tem a missão de fugir da marca negativa da África do Sul, única anfitriã da história a cair na primeira fase (2010). E também do próprio retrospecto, já que acabou eliminada precocemente em todas as três participações desde a dissolução da União Soviética (1994, 2002 e 2014).

Os resultados mostram que a equipe de Stanislav Cherchesov terá dificuldades, pois venceu só seis dos 19 jogos preparatórios para o Mundial.

O "herdeiro" dos lendários Yashin e Dasaev não goza do mesmo prestígio dos antecessores, mas chegou a flertar com o protagonismo em nível europeu ao conquistar a Copa da Uefa pelo CSKA, em 2004.

Capitão do clube e da seleção, o goleiro de 32 anos é o terceiro jogador com mais partidas na história da Rússia (104) e tem o respaldo do técnico Stanislav Tchertchesov, ex-atleta da posição com as Copas de 1994 e 2002 no currículo.

Outro destaque da equipe é o centroavante Fedor Smolov, vice-artilheiro do último campeonato nacional com 14 gols pelo Krasnodar.

Já os Faraós depositam as esperanças no finalista da Champions League. A temporada de Salah foi tão impressionante que ele virou inclusive um novo símbolo contra a intolerância étnica e religiosa no Reino Unido ("Se fizer mais alguns gols, então me tornarei muçulmano também", cantam os torcedores do Liverpool).

Ninguém balançou tanto as redes no atual formato da Premier League (desde 1995) quanto o ídolo egípcio, com 32 gols na última edição. Além disso, ele foi o vice-artilheiro da Liga dos Campeões, com outros dez tentos.

Destaque absoluto dos Reds, Salah foi também o artilheiro das Eliminatórias Africanas, com cinco gols em cinco partidas disputadas. Entre eles, o que garantiu o retorno do país ao Mundial após 28 anos, nos acréscimos, diante do Congo.

A barreira encontrada pelos egípcios é justamente encontrar quem divida a responsabilidade com a principal estrela, especialmente após a lesão sofrida na decisão da Champions. Recuperando-se de um deslocamento no ombro, Salah não deverá retomar 100% da forma até a estreia.

Para tanto, a seleção conta com a liderança do goleiro Essam El-Hadary, 45, que ao entrar em campo se tornará o jogador mais velho a participar de uma Copa. O recorde (43 anos e três dias) foi estabelecido pelo colombiano Faryd Mondragón em 2014, no Brasil.

O time comandado pelo argentino Héctor Cúper volta ao torneio depois de apenas duas aparições anteriores, sem jamais ter avançado para o mata-mata. Seria um feito histórico, daqueles que Salah vem se acostumando a realizar.

*Matéria atualizada em 28/5

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