"Morreu Ayrton Senna da Silva... Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar". A frase do jornalista Roberto Cabrini chocou o Brasil há exatos 24 anos. No Dia do Trabalhador, um dos maiores pilotos da história do automobilismo morria no GP de San Marino, em Ímola, na Itália. Uma manhã de domingo de futebol, que também teve o "clássico do luto" entre Atlético e Cruzeiro.

Poucas horas depois de o Brasil perder um ídolo, alvinegros e celestes entravam em campo no Mineirão pelo Campeonato Mineiro de 1994. O jogo, como que num respeito ao momento de dor, ficou empatado, em 1 a 1. Aquele duelo poderia recolocar o Atlético na briga pelo título estadual de pontos corridos, mas a Raposa seria a campeã, com 10 pontos de frente. Entretanto, foi um encontro de lendas do futebol mundial, e com papéis invertidos.

No Atlético, a SeleGalo comandada por Valdir Espinosa reunia Adilson Batista na zaga e Renato Gaúcho no ataque, dois jogadores que se destacaram mais pelo Cruzeiro. Ainda havia Éder Aleixo na ponta alvinegra, perto de completar 37 anos. 

Contemporâneo do bomba, Toninho Cerezo também estava no clássico, mas vestindo azul. Aos 39 anos, vindo do São Paulo após passagem pela Itália, ele era o camisa 8 da Raposa. Se em tempos de Galo seus lançamentos buscavam Reinaldo, naquele clássico a visão de jogo de Cerezo era para outro "fenômeno", o ainda jovem Ronaldinho, que logo seria vendido para o PSV e seria campeão mundial nos EUA. O Cruzeiro ainda tinha Dida no gol e o zagueiro Luisinho, presente em todas as "seleções de todos os tempos" do Atlético.

Os responsáveis pelos gols daquela tarde de luto foram Gaúcho, sempre de cabeça, abrindo o placar para o Atlético, e Cleison, então jovem promessa de ataque da Raposa - também de cabeça - empatando o jogo no segundo tempo.