No dia em que Neymar entra em campo com a missão de balançar as redes uruguaias e encostar em Romário, terceiro maior artilheiro da Seleção Brasileira, o ex-atacante Evaristo de Macedo comemora 60 anos de um recorde jamais superado no país: em 23 de março de 1957, ele marcou cinco gols na vitória por 9 a 0 sobre a Colômbia.

Curiosamente, para que o atual camisa 10 da Seleção iguale os 55 gols do Baixinho, ele precisa repetir contra a Celeste Olímpica o que Evaristo fez naquele Sul-Americano no Peru.

Em 2014, num amistoso contra o Japão, Neymar marcou quatro vezes e quase igualou o feito do ex-camisa 9. Assim como o atacante do Barcelona, Zico, Ademir de Menezes, Julinho Botelho e Romário também bateram na trave.

No entanto, ao contrário do atual craque do Barcelona, clube no qual trabalhou como atleta e posteriomente treinador, Evaristo fez poucos jogos com a camisa da Seleção Brasileira.

Enquanto Neymar disputou 75 partidas oficiais com a “amarelinha”, o ex-atacante, hoje com 83 anos, fez apenas 14 jogos. 

Embora fosse um dos grandes nomes naquela época, o dono da façanha de fazer cinco gols numa única partida pela Seleção ficou de fora da lista de convocados para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

A ida para o Barcelona, na temporada anterior, impediu que Evaristo fizesse parte do grupo que se tornaria campeão mundial. Naquela época, raramente eram convocados os atletas que atuavam fora do país.

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Vantagem na Catalunha

Assim como na Seleção, Evaristo também desafia Neymar quando o assunto é o número de gols marcados pelo Barcelona. 

De 1957 a 1962, quando viveu o auge da carreira, o ex-atacante defendeu o clube catalão e balançou as redes 178 vezes. O atual camisa 11, por sua vez, está a um de alcançar o centésimo.

Contratado em 2011, por aproximadamente R$ 140 milhões – cifras inimagináveis nos tempos de Macedo –, Neymar é atualmente uma das principais peças do Barça. Ao lado do argentino Lionel Messi e do uruguaio Luis Suárez, o brasileiro faz parte do melhor trio do planeta.

 

Confira abaixo uma mini-entrevista exclusiva com Evaristo de Macedo

 

O que o senhor lembra daquele confronto com a Colômbia?
Esse jogo foi excepcional. A Colômbia tinha jogado contra uma partida contra a Argentina ou Uruguai, não me lembro bem, e fez um jogo muito duro. Ficamos preocupados com o que encontraríamos pela frente, mas estávamos inspirados naquele dia. Eu estava muito feliz naquele dia. Dava uma sensação que éramos muito superiores, mas não era bem assim.

Como eles reagiram à goleada?
Eles ficaram desesperados. Nada dava certo, ao contrário do que acontecia com o nosso time.

Vários jogadores quase igualaram o seu recorde, porém até hoje ninguém foi capaz. Acha que em breve poderemos ver algum atleta fazendo cinco ou mais gol num só jogo pela Seleção Brasileira?
Hoje em dia pode acontecer, mas é complicado. Na nossa época, inclusive, era muito mais dífcil, porque não tinha cartão amarelo. Quando você sofria uma marcação mais pesada, não tinha punição. Eram 10, 15 faltas por jogo. Hoje o Neymar joga e o cara não pode nem encostar que é falta. O adversário fica com medo de ser punido.

Assim como Neymar, o senhor fez história pelo Barcelona. Podemos fazer algum tipo de comparação entre vocês?
A diferença dele para mim é que ele joga muito mais (partidas) do que nós jogávamos naquela época. Na nossa época ainda não tinha a LigaEuropa com tantos jogos. Eu não podia nem jogar a Copa Espanha, por ser estrangeiro. Hoje ficou mais fácil... Acho que vai chegar (nos 178 gols) e até me ultrapassar". 

Por que o senhor não foi para a Copa do Mundo de 1938, na Suécia?
O Barcelona não me cedeu.  O nosso campeonato estava em andamento. Quando o Carlos Nascimento (supervisor da Seleção) foi lá, eles não quiseram. E, além disso, a Espanha não estava na Copa; então não anteciparam a final da competição nacional.

Ficou frustrado por não ter participado do nosso primeiro título mundial?
Queria muito ter jogado, até por ter participado da campanha que classificou a Seleção. Mas hoje não sinto mais nada em relação a isso. 

 

evaristo de macedo

Evaristo, em 1963, quando trocou o Barcelona pelo arquirrival Real Madrid