A pressão da torcida atleticana sobre o diretor de futebol Alexandre Gallo já existe, pois do mesmo setor do Independência onde nasceu a campanha que derrubou André Figueiredo no ano passado surgiram neste sábado (10) xingamentos ao dirigente logo após a Caldense virar o jogo e decretar os 2 a 1 sobre o Atlético em pleno Horto.

Além disso, na última sexta-feira (9), durante a coletiva em que o diretor e o presidente, Sérgio Sette Câmara, anunciaram a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira, o mandatário maior do clube deixou claro que o comando do futebol é responsabilidade de Gallo.

Assim, corrigir a rota de uma temporada que começa de forma desastrosa é o grande desafio do diretor de futebol alvinegro, que precisa estancar uma crise que já passou a ter ele como um dos personagens. E o ponto principal é justamente contratar um novo treinador para o clube, que ontem foi dirigido interinamente por Thiago Larghi, único auxiliar de Oswaldo de Oliveira a não sair com ele e que agora integra a comissão técnica permanente do Atlético.

Na coletiva de quinta-feira, Alexandre Gallo deu todas as dicas possíveis de que o nome preferido é o de Cuca, ao falar que o Atlético precisava recuperar a maneira de jogar que tinha a intensidade e a agressividade como marcas.

Ele se referia claramente ao estilo chamado “Galo Doido”, criado por Cuca e depois mantido por Levir Culpi. Como o segundo está no futebol japonês e o primeiro sem clube, todos os caminhos levaram ao seu nome.

Cuca garante que não foi procurado pelo Atlético. Em entrevista ao Globoesporte.com, o seu procurador, Eduardo Uram, garantiu que a notícia de que a pedida alta de Cuca assustou o clube, sem que houvesse uma conversa, inviabiliza qualquer volta do treinador à Cidade do Galo.

Na noite deste sábado, em entrevista ao programa Bastidores, da Rádio Itatiaia, Sérgio Sette Câmara disse que Cuca é um nome que interessa muito ao Atlético, principalmente pelo fato de ter dado ao clube o maior título da sua história, a Libertadores de 2013, mas que isso depende de um acordo financeiro, pois o novo treinador precisa se encaixar na realidade financeira do clube.

BOMBEIRO

Logo após a derrota para a Caldense, Alexandre Gallo falou com a imprensa. Além de reafirmar o desejo pela volta do “Galo Doido”, sem usar a expressão, mostrou mais uma vez confiança no grupo de jogadores que montou.

“Nós estamos buscando, estamos tratando disso aí (contratação do novo treinador). São situações internas. Eu queria falar muitas coisas aqui e não posso, pois, às vezes, isso dificulta uma negociação. Na hora em que a gente tiver uma oportunidade, a gente vai externar. Nós precisamos o mais rápido possível trazer um comandante, que nos dê um rumo, principalmente pela característica de time que temos. Tem que ser um time intenso, de marcação, que joga para frente, com mais força, pegada, com determinação, que é a cara que o time pede. E nós contratamos esses jogadores pra isso, e essa intensidade ainda não aconteceu”, afirmou o diretor de futebol atleticano.

Por causa do Carnaval, o Atlético só volta a treinar na terça-feira (13). No domingo (18), faz o clássico contra o América, no Independência, quando vencer será fundamental para o time seguir com chances de brigar pelo menos pelo segundo lugar geral na classificação do Campeonato Mineiro.

A derrota para a Caldense, embora Gallo ache que o Atlético fez o seu melhor jogo do ponto de vista ofensivo no ano, foi gasolina na fogueira atleticana.

Apagar o fogo é o desafio do novo diretor de futebol atleticano. E ele precisa encontrar logo o bombeiro, antes que se queime.