Como em toda grande festa, agora é a hora de arrumar a casa. E antes que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos finalmente proporcionem todo o legado positivo esperado – as melhorias no sistema de transporte do Rio, com a abertura da Linha 4 do Metrô, o VLT e o BRT e a revitalização da zona portuária, que se transformou no Boulevard Olímpico, são alguns dos benefícios já palpáveis –, o momento é de pagar as contas e desmontar todo o aparato de cenografia e logística.

Especialmente nas arenas e locais de competição não construídos especificamente para o evento e que precisam retomar a utilização habitual.
O caso mais emblemático é, sem dúvida, o do Maracanã, que além das partidas do futebol olímpico, recebeu as duas cerimônias de abertura e as duas de encerramento, além da estrutura metálica da pira que simbolizou os dois períodos de competição.

O desafio de servir de palco para o desfile de milhares de atletas e receber as diversas atrações e números artísticos exigiu a retirada do gramado original – levado para “descansar” em Saquarema, na Região dos Lagos e sua troca por outro.

E como na Paralimpíada não houve disputas no local, a equipe responsável pela direção artística pôde ousar e se valer também do sub-solo – imagens aéreas mostraram que foi cavado um buraco na região central do campo.

Rio 2016 ginásios

Empresa ucraniana que produziu banners usados
em ginásios cobra R$ 9,8 milhões da organização

O Comitê Organizador confirmou que a escavação tem 1,5 metro de profundidade por seis de comprimento e quatro de largura e foi feita para permitir a instalação do robô industrial que “contracenou” com a atriz e atleta norte-americana Amy Purdy na abertura. E que será necessário pelo menos um mês para que o gramado esteja em perfeitas condições de uso.

A essa altura, é improvável que o lendário estádio receba o Fla-Flu do dia 12 (o mando é do tricolor, mas o rubro-negro é que tem tido maior problema para fazer seus jogos em casa, optando até mesmo pelo Pacaembu, em São Paulo). O próprio Comitê trabalha com o prazo de 30 de outubro, embora prometa “fazer todo o possível para deixar o campo novo antes disso” – alega que a pressa não pode comprometer a qualidade do trabalho.

Na Justiça

Outra preocupação da organização diz respeito às faturas pelos inúmeros serviços prestados que começam a chegar – em alguns casos por meio judicial.

Reportagem do UOL mostrou que a 18ª Vara Cível do Rio determinou o bloqueio de R$ 9,8 milhões das contas do Comitê Organizador para quitação de dívida com a empresa ucraniana Euromedia, responsável pela confecção dos banners e faixas com identidade visual dos Jogos que cercavam os locais de competição.

Os advogados da Euromedia argumentam que o valor se refere a modificações de última hora no contrato (entre elas o envio do material por avião e não por navio, como previsto originalmente, para que fosse instalado a tempo das competições) e gastos extras que não teriam sido honradas pelos organizadores.

Jornada

Sobrou também para a Olympic Broadcast Services (OBS) a empresa ligada ao Comitê Olímpico Internacional (COI) responsável pela produção e edição das imagens dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Com sede na Espanha, a OBS teve bloqueados R$ 5 milhões em ativos (incluindo caminhões e câmeras) a pedido do Ministério Público do Trabalho, por supostas irregularidades cometidas na contratação de pessoal brasileiro – entre elas o desrespeito à jornada de trabalho acertada de 10 horas.