Um antigo fantasma, que passou adormecido nos últimos dez anos, retornou ao Atlético. A dívida entre o clube a WRV Empreendimentos e Participações, contraída em 2000, ganhou novo fôlego no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Uma decisão da 24ª Vara Cível de BH, dada pelo juiz Marco Aurélio Chaves, obrigou (determinou ao) o São Paulo Futebol Clube a depositar em juízo qualquer quantia que iria aos cofres do Atlético pela venda do atacante Lucas Pratto.

A ação tem a mesma estrutura da promovida pelo Grêmio na Justiça de Porto Alegre, só que cobrando uma dívida de R$ 10,5 milhões da segunda metade dos direitos econômicos do goleiro Victor que foi cedida ao Galo em 2013.

A WRV Empreendimentos, que controlava redes de supermercados de Belo Horizonte, emprestou ao clube mineiro cerca de R$ 7 milhões em 2000 para que o Galo permanecesse com dois jogadores imprescindíveis na campanha do vice-campeonato de 1999: Cláudio Caçapa e Guilherme. Em troca, como garantia de pagamento, o Atlético do ex-presidente Nélio Brant cedeu 60% dos direitos econômicos do zagueiro e do atacante à empresa. Caçapa seria negociado para o Lyon, de forma definitiva, em maio de 2001, em troca de 5,25 milhões de dólares. O Galo não repassou os 60% correspondentes à WRV.

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O clube mineiro conseguiu pagar R$ 2 milhões, conforme consta nos próprios autos do processo que tramita. Entretanto, os juros e correções monetárias de 17 anos transformaram o débito em uma bola de neve que alcança os R$ 65 milhões. 

"Este empréstimo foi de R$ 5 milhões. Um ano depois, essa empresa veio nos cobrar R$ 15 milhões e não concordamos", disse Ricardo Guimarães, em 2003, quando presidia o Atlético. O dono do Banco BMG é um dos executados do processo, ao lado de Nélio Brant e de Sérgio Coelho, ex-diretor do Galo. 

O Atlético, através do departamento jurídico, entrou com uma ação contra a cobrança da WRV. O clube mineiro foi até o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para entrar com um recurso. O STJ acolheu o pedido do alvinegro mineiro e, se bater o martelo de forma favorável ao Galo, anulará o dinheiro cobrado pela empresa composta por três sócios que controlavam o Supermercados Mineirão e EPA.

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Nesta briga judicial, a WRV solicitou o cumprimento provisório da dívida, pedido que foi aceito pelo (juiz da 24ª Vara Cível) Tribunal e, assim, o bloqueio da transferência da primeira parte que o São Paulo pagaria ao Galo pela ida de Lucas Pratto ao Morumbi. É esperada a apresentação de uma defesa jurídica do Atlético nos próximos 15 dias, junto ao processo em primeira instância e a interposição de recurso junto ao TJMG para suspender a penhora do valores da venda do Pratto ao São Paulo.

O clube mineiro informou, ainda nesta quinta-feira (16), que " para preservar os seus direitos, usará os dispositivos legais cabíveis, usando inclusive, pedido de liminar para a cassação da ordem judicial".

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