Quem vê Robinho se destacar com a camisa do Cruzeiro não imagina que ele quase abandonou o futebol por ser considerado baixo demais. A dispensa no Internacional, quando o meia tinha 17 anos, poderia ter mudado o destino do cidadão mais conhecido de Sarandi, cidade na Região Central do Paraná. Perseverante, porém, ele tentou mais uma vez. 

Neste domingo (13), inclusive, o camisa 19 estará em campo e defenderá a Raposa contra o São Paulo. A partida, marcada para as 11h, será na casa do Tricolor paulista, clube contra o qual Robinho costuma balançar as redes.

Recuperado das lesões que o tiraram de cena em metade da temporada, o meia quer ser peça importante no esquema do técnico Mano Menezes. Deixar o Grêmio para trás nas semifinais da Copa do Brasil, descontando a eliminação de 2016, é prioridade para o paranaense de 29 anos.

Neste Papo em Dia, Robinho fala de sua adaptação ao Cruzeiro, conta como foi o episódio em que um empresário o confundiu com o xará ("Rei das Pedaladas"), e revela a influência que o ex-meia Alex, campeão da Tríplice Coroa em 2003, exerceu em sua postura como atleta profissional.

Você fez a base no Inter, mas foi estrear como profissional pelo Varginha. Como veio parar em Minas Gerais?

A minha base foi mais em escolinha. No Inter, eu fiquei oito meses. Em 2005, fui mandado embora por causa do meu tamanho e não queria mais jogar futebol. Daí surgiu a oportunidade de jogar em Varginha. Eu nem sabia onde ficava. Tinha 17 anos na época e resolvi arriscar. Cheguei na rodoviária em São Paulo, tinha 45 jogadores. Olhei os caras, meio gordinhos, e pensei que não daria certo (risos). Mas acabou que as coisas aconteceram de outra forma e adorei ter passado este período (quase dois anos) na cidade. De lá, fui para o Democrata de Sete Lagoas, onde fomos campeões do Torneio Início (2006). Depois, vim para o Cruzeiro, mas fiquei só dois dias no clube. O time júnior ia para a Alemanha, mas eu não tinha passaporte. Acabei não ficando.

Vim para ser campeão. Espero que este ano seja a nossa vez. Estou empolgado. Acho que chegaremos bem fortes nesta reta final”

Chegar ao Santos, em 2008, com apelido de Robinho, deu muita dor de cabeça?

Pra mim, não. Eu não ligava muito, mas muitas pessoas começaram a comparar. Sempre deixei claro que não tinha nada a ver. Ele sempre foi um atacante de drible, e eu, um meia mais de toque de bola. Queriam mudar meu nome para evitar comparações e acabou ficando Róbson, mas só para a imprensa. Quando fui para o Avaí, em 2010, um empresário me ligou, me confundindo com o Robinho (do Atlético), falando do Bayern de Munique e da Juventus. Na hora que eu falei que não era quem ele estava pensando, ele falou que depois me ligava. Estou esperando até hoje (risos).

No Palmeiras, você foi campeão da Copa do Brasil em 2015. Esse ano tem o bi? O que este título significará para você?

Vai significar muita coisa, principalmente por ser meu primeiro título nacional no Cruzeiro. Eu vim para cá para ser campeão. Essa é a maneira mais curta de ser campeão neste momento. Sabemos da dificuldade, ano passado perdemos justamente para o Grêmio, mas espero que este ano seja a nossa vez. Estou empolgado. Acho que nosso time está melhorando cada vez mais e que chegaremos bem fortes nesta reta final.

 

 

Você se lesionou quando era uma das principais peças da equipe. Como está se sentindo neste retorno?

Estou feliz. Estava vivendo um grande momento quando me machuquei, estava empolgado, tinha feito uma pré-temporada muito bem feita, estava bem fisicamente, e esta lesão me atrapalhou muito. Foram três meses, depois voltei, fiquei mais um mês fora, e isso é muito difícil. Mas como eu falo aqui, de repente eu estou na frente de todos os outros caras, porque enquanto estão cansados, eu estou descansado. Pode ser um ponto forte. Falta confiança por estar voltando, mas tenho que superar nas partes física e técnica, e nem quero mais ficar pensando em lesão porque acaba chamando. Quero jogar essa partida contra o São Paulo (neste domingo) e estar preparado para o duelo contra o Grêmio (na quarta-feira). Desejo muito ser campeão nacional aqui.

Assim como Felipe Melo e o próprio Rafael Marques, seu companheiro de Cruzeiro, você perdeu espaço no Palmeiras com o Cuca. O que acontece por lá? 

Não tem muito o que falar. No começo, fiquei chateado pela maneira como foi. Mas, depois que conheci a estrutura do Cruzeiro e o elenco que o clube tinha, eu aceitei numa boa. Quando aconteceu a situação, eu queria ficar, ser campeão lá, mas, a partir do momento que eu cheguei aqui, fiquei super tranquilo e estou extremamente feliz. Quando o Bruno Vicintin (vice-presidente de futebol) me procurou para renovar, eu não pensei duas vezes para aceitar. Desde o primeiro dia em que o Mano chegou, ele me apoiou, assim como o Paulo Bento. Me sinto feliz por isso. O Cuca tinha outros meias como primeira opção, então, para mim, foi bem melhor ter sido liberado. Talvez tivesse sido campeão sem jogar, e desta forma eu não me sinto feliz. Aqui, me sinto em casa.

Graças ao Alex, eu virei outro jogador. Antes, só queria driblar, sem pensar na equipe. Hoje, meu foco é outro, pois 
sei que, se o time for bem, consequentemente eu vou jogar bem. Queria conquistar pelo menos a metade das coisas que ele conquistou na carreira”

Domingo tem jogo contra o São Paulo. Baita freguês do Robinho, né? Tem até placa por aquele gol de cobertura no Rogério Ceni... 

Pelo Cruzeiro, ainda não marquei contra o São Paulo. Caso aconteça no domingo, será muito legal, principalmente por ser Dia dos Pais. Vou dedicar ao meu pai e ao meu filho. Não me vejo como carrasco, mas costumo jogar bem contra eles, parece que acontece algo especial. Vou ter que me esforçar e correr muito no domingo, como sempre fiz, para repetir. Tomara que tenha a mesma sorte que tive nos tempos de Palmeiras e Coritiba.

Você jogou no Coritiba e no Palmeiras, clubes em que Alex, um dos maiores ídolos da história recente da Raposa, também atuou. Ele é uma referência para você?

O Alex, quando o conheci no Coritiba, mudou meu jeito de jogar. Ouvindo os conselhos que ele me deu, virei outro jogador. Antes, eu só queria driblar, sem pensar muito na equipe. Hoje, meu foco é outro, pois sei que, se o time for bem, consequentemente, eu vou jogar bem. Tanto que só joguei em clubes grandes, graças a Deus. Ele me apoiou muito e me ajudou demais nisso, e fez meu futebol evoluir demais. É um cara que é um ídolo e um espelho pra mim. Temos um grupo e estamos sempre conversando. Ele até falou que eu estava gordinho na minha última volta, mas já avisei que emagreci e estou no peso certinho (risos). Queria conquistar pelo menos a metade das coisas que ele conquistou na carreira. Ficaria muito feliz.

Seu filho Cauã está com 6 anos. Vai seguir os passos do pai?

O Cauã gosta de futebol. Vou incentivá-lo a jogar bola, sim, mas a escolha é dele. Ele já falou que quer jogar no Santos, no Avaí, no Palmeiras, no Cruzeiro (risos)... Quer fazer o mesmo caminho que eu.

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