O último Papo em Dia de 2016 – excepcionalmente publicado fora de um domingo – é com o homem responsável por gerir as políticas federais ligadas ao esporte brasileiro. Com 37 anos e exercendo o quarto mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro, o ministro Leonardo Picciani (PMDB) foi o escolhido para encerrar a temporada desta seção.

Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, Picciani fala sobre os desafios que enfrenta desde que assumiu a cadeira no Ministério, em maio deste ano, afirma que a crise no país não afetará o investimento no esporte, se posiciona sobre os escândalos nas principais confederações esportivas e comenta o legado deixado pelos Jogos Rio-2016. 

O Brasil entrou nos Jogos do Rio com o objetivo de integrar o Top 10, o que não conseguiu. E o país falhou principalmente em modalidades que distribuem muitas medalhas, como atletismo, principalmente, mas também o ciclismo, que é sua paixão. O investimento seguirá direcionado para buscar uma posição melhor nos Jogos de Tóquio ou haverá uma mudança de estratégia, priorizando-se a formação de atletas, o que só renderia frutos se o projeto der certo, a partir de 2024 ou até 2028?
Creio que o esporte brasileiro segue um caminho de evolução, de crescimento, e certamente será atingido com uma melhor participação nos Jogos de Tóquio, em 2020. A participação no Rio foi absolutamente positiva; a melhor da história. Conquistamos o maior número de medalhas, algumas em modalidades inéditas – o que mostra um índice de amadurecimento do nosso esporte –, e é isso que devemos perseguir. Não queremos uma determinada posição. A nossa meta é evolução, o quanto cresceremos de uma edição para a outra. 

ministro e temer

O senhor é um amante do ciclismo e praticante do esporte. É uma atividade que encanta as crianças e que faz parte da infância do brasileiro. Só que a tradição do Brasil na modalidade é muito pequena. Há algum projeto para tentar aumentar a prática do esporte no país?
Eu, de fato, sou um praticante. Até 2015, participava de algumas competições na categoria master. No ciclismo a gente nota um crescimento espontâneo no país. Tivemos, por conta da Olimpíada, a construção do velódromo no Rio que vai ser gerido pelo Ministério. Pretendemos estabelecer um calendário forte de competições nacionais e internacionais, que estimule a prática do esporte e o surgimento de novos talentos.

Vivemos um momento de crise e contenção de gastos justamente na abertura do novo ciclo olímpico. Haverá, por parte do governo federal, redução nos investimentos em projetos de formação e incentivo de atletas?
Não. Manteremos o investimento. Estão garantidos, por exemplo, para o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, R$ 140 milhões para o ano que vem. Faremos a manutenção dos equipamentos olímpicos, da rede nacional de treinamentos. Há cerca de R$ 100 milhões disponibilizados no orçamento de 2017 e, mesmo neste momento de aperto orçamentário, nós teremos que ser mais eficientes, mas não deixaremos de fazer o que é essencial para a preparação do Brasil para o ciclo olímpico.

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) afirma que o Ministério do Esporte investe pouco e de forma pouco eficiente. O que tem a dizer sobre o documento?
Esta avaliação é muito positiva. De fato, os recursos são poucos. Gostaríamos que fossem mais, mas na realidade atual do país seria preciso fazer alguns ajustes. Procuramos fazer de forma eficiente com os recursos que temos.

Com apenas 37 anos, o senhor já está no quarto mandato como deputado. Qual o maior sonho que alimenta dentro da política, principalmente agora vinculado ao esporte?
Creio que em todas estas oportunidades que tive, nas tarefas que exerci, sempre busquei cumprir da melhor forma minha obrigação. Neste momento, meu maior desejo é cumprir estar tarefa com a maior eficiência possível e correção. 

“Estão garantidos, para o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, R$ 140 milhões para o ano que vem, o que nos permite manter o investimento. Não deixaremos de fazer o que é essencial para a preparação do ciclo olímpico”

De maio, quando assumiu o Ministério, até hoje, quais foram os maiores desafios que enfrentou no cargo?
Sem dúvida alguma foi a realização dos Jogos Olímpicos, quando assumimos nos momentos decisivos, que antecederam o início do evento. A operação durante a Olimpíada também foi um grande desafio. Neste momento, o desafio que está posto é o cuidado com o legado olímpico, que precisa ser transformado em algo efetivo para a população. Não podemos perder o momento em que o esporte ficou tão em evidência e inspirou pessoas comuns a praticar esportes.

O que lhe qualificou para assumir o Esporte? O que levou o presidente Michel Temer a nomeá-lo?
Creio que tenha sido a confiança por me conhecer e também a minha atuação política. Convivi bastante com o presidente, tanto na Câmara dos Deputados quanto no partido. Foi devido também ao compromisso que ele sabia que eu sempre tive com a temática do esporte e o comprometimento com o país.

Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, não vemos no Brasil o esporte ser incentivado dentro das escolas. Esta realidade está longe de ser mudada?
Ela precisa ser mudada. Há um desejo da população, jovens e crianças, em praticar esporte e a escola é um local fundamental para que haja este contato. Nós buscaremos incentivar o esporte educacional. Já fiz isso desde quando assumi o cargo; 90% do orçamento da Secretaria Nacional de Esporte Educacional, Lazer e Inclusão Social estavam contingenciados e nós podemos, ainda este ano, devolver mais de R$ 50 milhões ao esporte educacional. No ano que vem, faremos a execução na íntegra do orçamento da Secretaria.

Quais o impactos gerados pela crise nas principais confederações dentro do Ministério? A falta de credibilidade de algumas delas atrapalhou na captação de recursos ou em outros aspectos?
O Ministério trabalha em parceria com todos os atores do esporte. Agora, evidentemente a gente identifica uma necessidade de uma melhor gestão de modo geral das nossas entidades do esporte, das nossas confederações. Existem exceções, que são aquelas muito bem geridas, mas de modo geral nós devemos buscar uma melhor configuração de gestão, um melhor modelo, com mais eficiência e transparência, prezando por metas e resultados efetivos.

“Creio que o esporte brasileiro segue um caminho de evolução, de crescimento, que certamente será atingido com uma melhor participação nos Jogos de Tóquio, em 2020. Nós não queremos uma determinada posição. A nossa meta é evolução, o quanto cresceremos de uma edição para a outra”

 

Como isso é feito na prática?
O Ministério pretende e vamos fazer a partir do próximo ano um sistema de estabelecimento de metas. Só estarão aptos a receber recursos por parte do Ministério entidades que tiverem muito claro seu planejamento, seu plano de metas e que atingirem estas metas. 

Alguma novidade envolvendo Minas Gerais para o ano que vem? 
Minas tem bastante equipamentos de alto nível, junto com as universidades, recebe muitos dos nossos programas de inclusão e de iniciação ao esporte. Vamos inaugurar equipamentos em diversas cidades, alguns aproveitados do Parque Olímpico e outros novos.

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