Se “o impossível já está acontecendo”, como diz o slogan da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), sonhar com uma medalha nas próximas edições de Olimpíadas não parece nenhum absurdo para a seleção feminina da modalidade.

Enquanto os Tupis não alimentam muitas esperanças de classificação para os Jogos de Tóquio, as Yaras têm a meta de alcançar no mínimo uma sexta colocação em 2020.

O foco no Rugby Sevens (feminino) é que a gente chegue a Tóquio entre as seis primeiras posições. Mesmo assim, é difícil falar em medalha, porque estaremos lutando com Inglaterra, Nova Zelândia, Canadá e por aí vai"

Agustín Danza,
excutivo-chefe da CBRu

E já puderam sentir um gostinho do que vem pela frente, com a disputa da quarta etapa da Série Mundial, no Japão, neste fim de semana.

Foram duas vitórias em cinco partidas, sobre Irlanda (27 a 10) e Japão (12 a 10). Com o resultado na parcial, o Brasil manteve-se na 11ª colocação entre as 15 seleções do circuito.

Antes, as Yaras já haviam vencido a Espanha (10 a 7) e a Inglaterra (17 a 12), em fevereiro, na etapa de Sydney, além da Argentina (41 a 0), na etapa de Las Vegas, em março.

A posição na tabela é pouco animadora, mas a presença do país na Série Mundial, em si, já foi um grande passo nos planos da seleção.

Nos Jogos Rio-2016, quando a modalidade voltou a uma Olimpíada após 92 anos, as brasileiras terminaram na nona colocação, resultado suficiente para classificá-las ao circuito internacional pela primeira vez na história – antes, o país só havia participado como convidado.

Evolução

A disparidade entre os Tupis e as Yaras pode ser explicada pelo desenvolvimento recente do esporte no naipe feminino em nível internacional.

Centenária e tradicional entre os homens, a modalidade só começou a se desenvolver na década de 1990 entre as mulheres. E o circuito mundial feminino de Sevens (categoria olímpica, com sete atletas por time) é disputado apenas desde 2011.

No âmbito sul-americano, a Seleção Brasileira detém a hegemonia absoluta, sem nenhuma derrota na história em jogos oficiais e com 12 títulos possíveis, o último conquistado em fevereiro deste ano.

Paralelamente ao trabalho com as academias de alto rendimento desde 2014, a CRBu investe no crescimento do Super Sevens, o campeonato brasileiro de clubes.

“No ano passado, conseguimos ter 16 equipes em todas as seis etapas. Isso aconteceu pela primeira vez desde a edição inaugural, em 2012. Sem dúvida, o nível está aumentando, e com isso, ajudando também a formar talentos para a seleção”, afirma o diretor de torneios da confederação, Bernardo Duarte.

SUPER SEVENS – BH Rugby foi o representante mineiro na última edição do torneio nacional

Os oito melhores times do Super Sevens recebem suporte financeiro da CBRu para a disputa do torneio anual. Todo o trabalho dos clubes, porém, ainda é realizado de forma amadora.

Em 2016, as meninas do BH Rugby foram novamente as únicas representantes de Minas Gerais na competição. Elas ficaram na 10ª posição e não terão o apoio neste ano.

“Nossa equipe é completamente amadora, ninguém recebe nada para jogar. Vamos bancar nossa participação novamente com ajuda de eventos e rifas”, conta Manu Abreu, 25, atleta com passagem pela seleção entre 2013 e 2014.

Atualmente, o BH Rugby conta com os apoios de UniBH, Cemig, Governo de Minas Gerais, Companhia Athletica, Via Shopping, CEU Diagnósticos e Cervejaria Backer.

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