Foram meses afastado do circuito por lesão e outros meses de atuações irregulares que só levantavam dúvidas sobre a saúde e o tênis de Rafael Nadal, em 2016. Entre os destaques negativos estavam a queda na estreia no Aberto da Austrália, o revés na disputa do bronze no Rio-2016 e o abandono na terceira rodada em Roland Garros. Um ano depois, o espanhol volta ao saibro francês para confirmar mais um momento de redenção em sua vitoriosa carreira.

Às 10 horas deste domingo, Nadal terá a oportunidade de marcar ainda mais fundo seu nome na história do tênis. Se vencer o suíço Stan Wawrinka, levantará a Copa dos Mosqueteiros pela décima vez, algo inédito em Roland Garros e na história dos torneios de Grand Slam. Para efeito de comparação, após o espanhol, os maiores campeões de um único torneio deste nível na Era Aberta são o suíço Roger Federer e o norte-americano Pete Sampras, ambos com sete troféus em Wimbledon.

Por conhecer como ninguém a famosa terra batida da Philippe Chatrier, Nadal é o grande favorito a buscar a décima conquista, justamente em sua décima final em Paris. Se não bastasse a larga experiência na competição, o espanhol chega à decisão embaladíssimo. Ainda sem perder sets, esmagou os rivais com facilidade até o duelo com Wawrinka, que teve mais trabalho para alcançar a final.

Além disso, Nadal sofreu menor desgaste físico em sua trajetória na competição. Acumulando vitórias fáceis, com frequentes "pneus", permaneceu apenas 9h49 em quadra. O suíço, que fez uma maratona de 4h34 na semifinal, acumulou rodagem de 15h19. Em um previsto calor de 30ºC em mais um jogo de cinco sets, o preparo físico pode ser decisivo na definição do campeão.

"Estou muito feliz com o que estou fazendo aqui desde que cheguei", disse Nadal, ciente da regularidade que exibiu ao longo de toda a competição. "Seria arrogante da minha parte se não reconhecesse isso, dados os resultados que estou obtendo."

Apesar do franco favoritismo de Nadal, Wawrinka não entrará na final como azarão. Atual número três do mundo, ele foi campeão em Paris há dois anos. E vem de uma dura vitória sobre o número 1 do mundo, o britânico Andy Murray, na semifinal. O triunfo em cinco sets renovou a confiança do dono de três títulos de Grand Slam.

"Confio muito no trabalho que venho fazendo há semanas, meses e anos. Sei que, quando estou conectado mentalmente, é difícil ganhar de mim", avisou o suíço, que venceu Nadal na única final de Grand Slam que disputaram, em 2014, na Austrália.