Ele ainda não havia alcançado a maioridade e disputava a Copa São Paulo de Futebol Júnior quando foi convocado para integrar o elenco principal do América. Apenas um ano depois, entra em campo neste doming (29) como uma das grandes esperanças do torcedor alviverde na busca pelo bicampeonato mineiro.

Tudo aconteceu muito rápido para Matheusinho. No período, o meia-atacante de 18 anos comemorou o título estadual, foi convocado para participar dos treinos da Seleção Olímpica que conquistaria o ouro nos Jogos Rio-2016, renovou contrato com o Coelho e amargou o rebaixamento à Série B no Brasileirão.

O armador ficou nacionalmente conhecido após dois golaços sobre o experiente Fernando Prass e pose para foto com o craque Neymar na Granja Comary, mas já era observado havia muito tempo por treinadores e empresários – recebeu, inclusive, sondagens do futebol francês. 

As constantes convocações para as seleções de base o impediram de participar ativamente nas campanhas americanas em 2016. Ganhou espaço, porém, justamente com o técnico Enderson Moreira, mantido pelo clube para a atual temporada.

Neste Papo em Dia, o jovem camisa 10 avalia os desafios no Coelho, elege Neymar como principal referência profissional e fala sobre o sonho de disputar uma Copa do Mundo pela Seleção Principal.

Qual foi a lição que ficou de 2016 para você?

O fato de estar na Série A, vindo de um título de Campeonato Mineiro, e cair do jeito que caímos, isso por si só já foi uma grande lição para todos nós. Mas não ficaram apenas as lembranças ruins. Só de ter conquistado o Mineiro e disputado uma Série A, mesmo sendo ainda tão jovem, foi muito gratificante para mim. É claro que ninguém gosta de ser rebaixado, mas já levantamos a cabeça.

“É um cara (Neymar) que eu acompanhei desde a época do Santos. O que ele fazia e faz até hoje dentro de campo é uma coisa sem explicação. Por ter visto a trajetória dele, é um exemplo para mim. Já era fã, e fiquei mais ainda”

Você foi convocado para o Sul-Americano Sub-20 e acabou cortado por lesão. Tem assistido aos jogos no Equador? Como se sente estando de fora?

Sim, estou vendo os jogos, acompanhando as notícias... Os meninos estão muito bem, dando conta do recado. Infelizmente não deu para estar lá desta vez, mas vou sempre continuar trabalhando para voltar a ser convocado para a Seleção. Por enquanto, fico daqui tentando ajudar com a maior torcida possível, para que possam vencer e conquistar esse título para o Brasil.

Você está nas seleções de base desde o Sub-17. Com quem tem mais amizade nesse grupo?

Sim, acho que conheço todo mundo que está lá (risos). Mas, individualmente, o meu melhor amigo é o Felipe Vizeu (centroavante do Flamengo), que jogou aqui no América. Desde aquela época já éramos bastante próximos, e até hoje mantemos contato. O Richarlison (atacante do Fluminense) também veio daqui e é muito amigo também. Então, é um motivo a mais para torcer pela Seleção.

Nessa trajetória pela Seleção, qual foi a experiência mais especial?

Acho que tanto a primeira convocação quanto a primeira vez que cheguei lá na Granja (Comary, centro de treinamento da CBF). Senti que era uma coisa de ouro nível mesmo. Foi muito emocionante.

E dentro de campo?

Foi o Mundial Sub-17 (no Chile, em 2015), porque era a primeira vez que eu estava saindo do país para disputar uma competição importante pela Seleção. Contra a Nova Zelândia, a jogada do gol da nossa classificação (às quartas de final) nos acréscimos saiu dos meus pés, então foi ainda mais marcante. Ficou aquele gostinho de jogar pelo Brasil e me imaginar disputando uma Copa do Mundo. Se Deus quiser, vou realizar esse sonho.

Matheusinho

Você acha que o futebol está ficando mais difícil para os ‘baixinhos’?

Acho que ainda tem muito espaço para nós (risos). Isso não me preocupa. Eu tento demonstrar dentro de campo, fazendo sempre alguma coisa diferente. É só uma questão de adaptação, de entender o jogo.

Qual é o jogador em que você mais se inspira?

Neymar. É um cara que eu acompanhei desde a época do Santos. O que ele fazia naquela época e faz até hoje dentro de campo é uma coisa sem explicação. Por ter visto a trajetória dele, é um exemplo para mim.

Como foi o convívio com ele no períoro de treinamentos antes da Olimpíada?

Foi muito bom, ele é muito gente boa, sem palavras... Já era fã, e fiquei mais ainda depois desse período que eu passei lá. Ele é um cara tranquilo, que sabe tratar bem todo mundo, se aproximar e conversar, sempre tentando nos ajudar.

“Contra a Nova Zelândia, a jogada do gol saiu dos meus pés, então foi ainda mais marcante. Ficou aquele gostinho de jogar pelo Brasil e me imaginar disputando uma Copa do Mundo. Se Deus quiser, vou realizar esse sonho”

Você morava em Ribeirão das Neves e pegava dois ônibus para treinar. O que mudou nesse último ano?

Principalmente, ficar menos tempo com a família, passar muito mais tempo longe. Sinto muita falta, porque esse nosso trabalho no futebol é muito corrido. Sinto falta das amizades também. A gente não esquece, não deixa de ser amigo, mas fica muito tempo sem se ver, sem conversar direito.

Já alcançou alguma meta pessoal nesse período?

Ainda não consegui dar uma casa para minha mãe, mas é a minha primeira meta e estou trabalhando para isso. As coisas estão caminhando, e agora estou ajudando mais a família, porque antigamente ainda não conseguia. Hoje, posso dar uma atenção melhor. É ter calma e esperar que as coisas vão melhorar mais ainda.

Como não perder o foco diante das especulações sobre o seu futuro?

Meu pai sempre falava e fala até hoje que eu preciso matar um leão por dia. O mais importante é trabalhar forte, sem se preocupar com o que ainda vai acontecer. Tento ficar ao máximo por fora de especulações, sem procurar saber o que estão falando, para não ficar preocupado nem ansioso. Deixo tudo com meu empresário e me envolvo o mínimo possível. Quando comentam alguma coisa, eu penso comigo mesmo que é mentira, porque acho que todo jogador tende a ficar um pouco afoito quando começam a falar muito nisso.

Você trabalhou com o português Sérgio Vieira no América. Acha que teria dificuldade de se adaptar aos treinadores caso vá mesmo jogar na Europa?

Acredito que não. Pelo que os meus amigos que estão lá falam, o modo de jogar e de ver o futebol na Europa é bem diferente mesmo, mas é uma adaptação que não demora muito. É difícil, mas se você tiver foco, fica fácil. Os trabalhos com ele (Vieira) eram bem diferentes, e até mesmo a preleção, a forma de falar, de explicar o que ele queria dentro de campo. Mas, com o tempo, fomos entendendo. Temos que focar no que a gente procura para a nossa carreira, então precisamos estar sempre abertos para nos desenvolver também.

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