Presente em apenas um pódio na história das Olimpíadas, o atletismo feminino do Brasil receberá oficialmente sua segunda medalha nesta quarta-feira (29), com mais de oito anos de “atraso”. E, na opinião de uma das responsáveis pelo feito, uma nova conquista dificilmente acontecerá na edição de Tóquio-2020, devido à redução dos investimento no esporte após os Jogos do Rio.

Natural de Timóteo, no Vale do Rio Doce, a ex-velocista Lucimar Moura será contemplada, durante o Prêmio Brasil Olímpico, com o bronze do revezamento 4x100 metros de Pequim-2008. Ao lado de Rosângela Santos, Thaíssa Presti e Rosemar Coelho Neto, a mineira herdará a terceira colocação, após a desclassificação da Rússia por doping.

“Lógico que não será a mesma coisa que teria sido em 2008. Não tivemos a oportunidade de subir ao pódio e ganhar a medalha depois da prova, viver aquela emoção que todo mundo sonha, ali, no momento. Mesmo assim, dá um ‘friozinho na barriga’. É um resultado bastante gratificante, pois sabemos como a dificuldade é enorme para o atleta no Brasil”, afirma Lucimar, atualmente com 43 anos, em entrevista ao Hoje em Dia.

“A Olimpíada no Brasil gerou oportunidades e patrocínios, mas durou pouco e voltamos à nossa realidade. Hoje, vemos atletas de alto nível fazendo ‘vaquinha’ na internet para treinar”

Colegas em apuros

Dona de três recordes sul-americanos (100m, 200m e 4x100m), a ex-atleta parou de competir oficialmente em 2013, mas segue acompanhando o esporte bem de perto. E avalia o novo ciclo olímpico com certo pessimismo, citando os exemplos da própria Rosângela Santos e da amiga Maíla Machado, especialista nos 100m com barreiras.

“As duas estão passando a mesma dificuldade. Elas foram, cada uma, para a terceira Olimpíada. Mas, depois dos Jogos, perderam todos os apoios. Essa é a situação geral”, lamenta a mineira, lembrando que as colegas chegaram a pedir a colaboração do público geral com “vaquinhas” na internet para retomar as atividades após a Rio-2016.

Na avaliação de Lucimar, a conquista de apenas uma medalha (ouro de Thiago Braz no salto com vara) não pode ser classificada como uma decepção para o atletismo nacional. “Nós tivemos atletas em quarto lugar e representantes em outras finais. Isso é representativo e, para nós, já é uma vitória. Mas muita gente não enxerga”, lamenta a ex-velocista.

Na Rio-2016, a equipe brasileira ficou com o quarto lugar na marcha atlética (Caio Bonfim) e com a quinta no levantamento de peso (Fernando Reis). Além disso, foi à final do arremesso de martelo (Wagner Domingos) e à semifinal do revezamento feminino (Bruna Farias, Rosângela Santos, Franciela Krasucki e Kauiza Venâncio), entre outras.

Em toda a história das Olimpíadas, o atletismo feminino brasileiro tem até o momento apenas uma medalha: o ouro conquistado por Maurren Maggi no salto em distância em 2008.

Aposentadoria

Após os Jogos de Pequim, Lucimar ainda disputou o Mundial de 2009, na Alemanha, antes de engravidar da filha Anna Júlia, hoje com 6 anos. Atualmente, a ex-atleta vive na cidade de Ipatinga, também no Vale do Aço mineiro. Pela medalha tardia, ela recebeu uma premiação em dinheiro da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e do ex-clube BM&FBovespa.