A mais tradicional prova do mountain bike brasileiro chega aos 25 anos de existência com motivos de sobra para justificar o "sobrenome" ganho em 1993, quando entrou pela primeira vez no calendário do ciclismo no país: "O desafio das montanhas". No próximo fim de semana, atletas do todo o país; dos Estados Unidos, África do Sul e Colômbia ganham as trilhas em torno de Mariana – pelo quinto ano escolhida como sede – para mostrar muita força nas pernas em mais um Iron Biker.

Um desafio levado a sério não só pelos inscritos na Elite, que em sua maioria vivem do esporte e somam conquistas; mas por todo um pelotão heterogêneo, em que há espaço para as mais variadas faixas etárias (que determinam a divisão por categorias) e, que é composto, em sua maioria, de quem encara o esporte como um hobby e uma forma de se manter saudável. E quem está começando ou ainda não tem preparo físico e técnico suficiente para encarar o percurso mais difícil pode optar pela versão curta, embora não menos exigente.

Basta ver o mapa de altimetria da prova para constatar que o que menos há pelos caminhos é trechos planos. Na maior parte do tempo os ciclistas vão estar subindo ou descendo, com quebras constantes de ritmo e poucas possibilidades de refresco. Com a expectativa de temperaturas mais altas ao longo do dia e a chance de chuva quase nula, a ordem será encarar a poeira, dosar bem o esforço, se hidratar e repor energias constantemente.

 Na classificação geral, a atração promete ser mais uma vez o duelo entre brasileiros e estrangeiros. A disputa masculina tem de volta o colombiano Luiz Anderson Mejía Sánchez, campeão em 2015, e o norte-americano Spencer Rathkamp, principais adversários do fluminense Róbson Ferreira, que pedala pelo pentacampeonato. Já entre as mulheres a prova tem tudo para ser um tira-teima entre a colombiana Angelita Parra, (tricampeã entre 2013 e 2015) e a atual número 1, a norte-americana Larissa Connors, com destaque também para a sul-africana Amy Beth McDougall.

Lógico que um lugar no pódio das 33 categorias é objetivo de um grande número de ciclistas mas, para a grande maioria, a principal meta é completar os dois dias de pedal (152 quilômetros no percurso longo e 118 no curto) e receber a medalha de participação, verdadeiro certificado de que se é homem ou mulher de ferro. Neste ano, aliás, ela é especial, reproduzindo o pedivela de uma bicicleta em tamanho real, para justificar ainda mais o esforço.

Na Suíça

Enquanto bikers de todo o Brasil e do exterior encararam a edição de 25 anos do Iron Biker, duas duplas brasileiras vêm fazendo bonito em outra grande prova da modalidade, o Swiss Epic, desafio de seis dias e mais de 350 quilômetros por trilhas nos Alpes suíços. Radicado no Brasil e duas vezes vencedor do “Desafio das Montanhas”, o suíço Lukas Kaufmann forma dupla com Hugo Prado Neto, que começou a pedalar de forma competitiva nos Estados Unidos, onde também se tornou treinador profissional. Depois do prólogo e do primeiro estágio, entre Grächer e Leukerbad, eles ocupam a nona posição geral. Já Uirá Ribeiro de Castro e Guilherme Bueno aparecem no 18º posto. A maratona, com desnível acumulado de 12 mil metros e a dificuldade extra das baixas temperaturas, prossegue até sábado, com duas etapas em torno de Leukerbad, uma que levará o pelotão da cidade até Zermatt, e outra em torno desta. Apesar da dificuldade de encarar o Swiss Epic pela primeira vez, Lukas e Hugo, que defendem a equipe OCE Cannondale Powerhouse, esperam terminá-lo entre os cinco primeiros.