Se o próximo Mundial traz como aspectos positivos o fato de desbravar mais uma fronteira para o futebol mundial e apresentar ao mundo um destino que, preocupado com o futuro de sua principal fonte de riqueza (o petróleo), investe pesado no turismo, a Copa do Catar não está livre de polêmicas.

A partir do processo de escolha, que se tornou alvo de investigação da Comissão de Ética da Fifa, diante das suspeitas de que o catariano Mohamed Bin Hamman, então presidente da Confederação Asiática de Futebol, pagou o equivalente a US$ 11 milhões em presentes e vantagens para garantir votos favoráveis. A investigação independente feita pelo ex-procurador norte-americano Michael García identificou indícios de que US$ 7 milhões pagos aos então presidentes da CBF, Ricardo Teixeira, e da AFA (o já falecido Julio Grondona), sob intermediação do ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell, seriam uma forma de influenciar os votos dos sul-americanos.

Bin Hamman chegou a se apresentar ainda como candidato à sucessão do ex-aliado Sepp Blatter, em 2011, mas desistiu três dias antes do pleito, em meio a rumores de que havia comprado votos de várias federações caribenhas. Um ano depois, acabou banido de todas as atividades ligadas ao futebol.

Mortes
Outro aspecto preocupante relativo à Copa envolve as condições de trabalho nas obras dos estádios e da infra-estrutura adjacente, que movimentam cerca de 500 mil pessoas de países asiáticos e africanos (em especial Índia, Paquistão e China).

Oficialmente, pouco mais de uma dezena de mortes é ligada oficialmente pelas autoridades ao evento, mas entidades de defesa dos direitos humanos falam em centenas de fatalidades, provocadas principalmente pelas jornadas intensas de trabalho sob calor forte. Um relatório da Confederação Sindical Internacional (ITUC) estima que, no período 2014/2022, quatro mil pessoas terão perdido suas vidas em canteiros de obras. Apenas recentemente uma comissão suprema independente passou a cuidar do caso e a buscar condições mais favoráveis para a massa de trabalhadores que está transformando as maquetes em realidade.

Há relatos de condições preocupantes de moradia e alimentação; cobranças de taxas e custos muito superiores aos salários pagos e retenção dos passaportes dos operários insatisfeitos, o que é negado pela família real que comanda o emirado.

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