Rafael Carioca levou porrada, com críticas e até mesmo figura culpada por derrotas do Atlético. Não foi o caso na eliminação do Galo na Libertadores. Contra o Jorge Wilstermann, o camisa 5 praticamente não errou, salvo um ou outro passe ofensivo. Nesta quinta-feira, ainda digerindo a saída precoce do alvinegro no principal objetivo do ano, o volante analisou o momento que o time atravessa, com pressão prestes a explodir.

Para Carioca, o presidente Daniel Nepomuceno não é culpado pelo mal momento da equipe, mesmo que o próprio tenha se manifestado publicamente minutos depois do empate em 0 a 0 no Mineirão para "dar a cara à tapa". Quem merece as críticas e cobranças mesmo, na visão do jogador, é o próprio grupo de atletas.

"Micale pegou um trabalho já andando. Acho que a responsabilidade maior tem que ser nossa, dos jogadores, pelo elenco que tem. O presidente montou time para ser campeão. Na minha visão, o presidente não tem culpa. O resultado quem faz somos nós, dentro de campo. E quando não há o resultado, a responsabilidade tem que ser nossa, dos jogadores. Micale está tentando achar uma forma de ganhar os jogos. E na minha visão a responsabilidade é nossa", disse Rafael.

Sendo elogiado por alguns torcedores, Carioca parece ter terreno preparado para, enfim, ficar em paz com a torcida. Isso numa fase turbulenta, em que quase foi negociado ao Tigres do México momentos antes da decisão da Copa do Brasil contra o Botafogo. O jogador admitiu que não vinha jogando bem e soube aborver as críticas, que ele chamou de "porradas". Agora é o Galo que precisa reagir e ir atrás do G6, posição na tabela do Brasileirão que dá vaga na Libertadores 2018, algo tratado como obrigação.

"As porradas fazem com que você cresça. Você toma porrada...Eu tenho muita personalidade. O jogador tem que saber lidar com a crítica, tem que querer melhorar. Coloquei na minha cabeça que tinha que melhorar. Mas para mim não adianta nada, porque a equipe não vem vencendo. É hora de todo mundo agora assumir a responsabilidade. Procurar crescer no Campeonato Brasileiro, que é o que nos resta, para ao menos entrar no G6 e o Atlético disputar a Libertadores no ano que vem", completou o volante, que se mostrou bastante incomodado com a situação, revelando o clima no vestiário do Galo após a eliminação:

"Às vezes vocês aqui fora não sabem o que se passa dentro do vestiário. É jogador chorando, sem chão. Como se tivesse perdido um filho. Porque a gente sabia que era a oportunidade de fazer, mais uma vez, história dentro do Atlético Mineiro. Muito difícil vir aqui (sala de imprensa) depois de derrota, ainda mais eliminação na Libertadores. Você praticamente não tem muito o que falar, é tomar porrada mesmo, sabemos que vai ser muita porrada de tudo quanto é jeito e de todo mundo. É juntar os cacos, se agarrar na família e partir para outra".