Foi duro, difícil, uma derrota que levou embora a invencibilidade de 21 jogos do Cruzeiro na temporada 2017. Mas, "entre mortos e feridos", a Raposa conquistou com muito suor à classificação às oitavas de final da Copa do Brasil, ao perder por 2 a 1 para o São Paulo, na noite desta quarta-feira (19), no Mineirão. Os gols do jogo foram marcados por Lucas Pratto e Gilberto para o Tricolor, com Thiago Neves  anotando o tento estrelado. 

O Cruzeiro aguarda agora o adversário das oitavas de final, que será sorteado amanhã na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Já nesta nova etapa, os clubes que disputam à Copa Libertadores entram na Copa do Brasil. 

O JOGO
O susto veio logo no início, algo que o mais otimista torcedor tricolor queria, e nem o mais pessimista cruzeirense imaginava. 

Como previsto no manual de táticas de sobrevivência para equipes que precisam fazer o resultado, o São Paulo "ligou o turbo" e antes dos 15 minutos iniciais fez o primeiro gol. O argentino Lucas Pratto, vilão na partida de ida com um gol contra, dessa vez cabeceou para o lado certo e balançou as redes do goleiro Rafael. 1 a 0. 

A torcida paulista presente ao Mineirão foi ao delírio, cantou alto e marcou território no Gigante da Pampulha. O baque inicial deixou os cruzeirenses atônitos dentro e fora de campo. Um clima de tensão tomou conta, até por que o Cruzeiro não conseguia encaixar seu jogo. 

Do lado de fora, Mano Menezes demonstrava sua irritação e nervosismo pela inoperância celeste em campo. De pé na área técnica, o treinador gesticulava e fazia cobranças ríspidas a seus jogadores. 

Com o giro do relógio, os cruzeirenses "entenderam o jogo" do São Paulo e aproveitaram as brechas pelas investidas 

Aos 13 minutos, Arrascaeta sofreu falta na entrada da área. Rodrigo Caio falhou no quique da bola e fez a "cama de gato" em Arrascaeta. Lance de extremo perigo para Renan Ribeiro. 

Muitos cruzeirenses lembraram da falta cobrada por Geovanni na histórica final da Copa do Brasil, em 2000. O próprio ex-meia da Raposa, que estava em um dos camarotes, viu Thiago Neves explodir o Mineirão. Era o empate, após a bola acertar a barreira e enganar o goleiro tricolor: 1 a 1. 

O Mineirão ganhou nova atmosfera, balançava como nos velhos tempos. A alegria cruzeirense era tanta, que inibiu totalmente a torcida visitante. Se antes os são-paulinos faziam um intenso barulho na arquibancada, o gol do Cruzeiro calou até os tambores da "Independente", organizada tricolor. 

O setor de visitantes sentia o clima de velório, já que seriam necessários mais dois gols para o São Paulo ir às oitavas. Será que morria, mais uma vez, o sonho do título da Copa do Brasil para o time do Morumbi? 

O atacante Gilberto garantiu aos visitantes novos suspiros. Aos 33 minutos ele aproveitou falha no miolo de zaga celeste e "reavivou" as esperanças de seu torcedor. 

Nessa hora foi o torcedor da Raposa que ligou o alerta. O São Paulo pressionava e Lucas Pratto aparecia com perigo nos lances ofensivos. A torcida tricolor cantava: "arerê, São Paulo eu acredito em você". Timidamente, nas arquibancadas, o torcedor celeste respondia, sentindo toda pressão do jogo. Em campo, o Cruzeiro fazia o possível para gastar o tempo, segurando a bola no ataque. 

Ao apito final do árbitro, alívio para os donos da casa, que avançam mais uma vez e seguem vivos com o sonho do pentacampeonato da Copa do Brasil.