Mais de seis anos depois do gravíssimo acidente no Rally Ronde di Andora, na Itália, quando perdeu o controle de seu Skoda Fabia S2000 e viu a lâmina do guard-rail da estrada em que acelerava invadir a cabine e quase decepar seu braço direito, Robert Kubica voltou ao comando de um F-1. O polonês de 32 anos, vencedor do GP do Canadá de 2008 com a BMW Sauber, foi convidado pela Renault a comandar o carro usado pelo time em 2012, o que é permitido pelas regras da categoria, num teste no autódromo espanhol de Valencia.

Kubica defenderia o time francês (então chamado Lotus) no ano do acidente – ele voltou a competir na temporada seguinte, depois de uma longa reabilitação e do esforço para recuperar a mobilidade e a força do braço atingido, mas concentrou-se nos ralis, que são outra de suas paixões. Neles, tornou-se campeão mundial da categoria WRC2 (carros de produção) e chegou a defender a equipe oficial Ford/M-Sport na categoria principal (WRC), com alguns bons resultados. Nunca escondeu, no entanto, o desejo de voltar a acelerar nas pistas.

Ainda que um retorno à F-1 seja tecnicamente possível (especialmente considerando que o câmbio é acionado por borboletas no volante, o que não exige grande esforço físico), equipe e piloto evitam falar sobre a hipótese. Os tempos de Kubica não foram revelados pela escuderia, que justificou o mistério envolvendo a iniciativa. "Não falamos muito sobre o teste porque ele era algo privado, destinado a Robert. Mas podemos dizer que ele completou 115 voltas, comentou que o carro saía de frente, falou da aderência, dos pneus, e saiu do carro com um imenso sorriso".