Apesar de ser um país tropical, o Brasil tem a sua seleção de curling e, nesta quinta-feira, vai iniciar um de seus maiores desafios. A equipe encara o Canadá, grande potência da modalidade, na estreia no America’s Challenge, em Ontário, casa do adversário. A disputa será em uma série de cinco partidas e a seleção brasileira terá de obter três vitórias se quiser garantir a segunda vaga no continente americano no Mundial Masculino de Curling de 2018, marcado para abril, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Bater a melhor seleção do mundo é uma missão impossível. Isso, porém, não tira o entusiasmo dos brasileiros. O confronto abre as portas para a visibilidade da equipe nacional em um dos esportes mais populares dos Jogos Olímpicos de Inverno, o que já será uma grande recompensa.

Em entrevista ao Estado, Marcelo Mello, capitão da equipe, fala sobre as dificuldades que enfrentam. "A preparação é sempre um pouco mais complicada para nós porque moramos em cidades distantes e não podemos treinar juntos ou jogar muitos campeonatos. Por outro lado, o time está enturmado e isso ajuda bastante".

Os jogadores moram fora do Brasil e encaram quilômetros de distância para conseguir se reunir e praticar o esporte. Enquanto Marcelo Mello e Filipe Nunes moram em Quebec, extremo leste do Canadá, Marcio Cerquinho reside em Vancouver, no extremo oeste. Sergio Mitsuo vem da Suíça e Scott McMullan, da Coreia do Sul.

"Nós só conseguimos ser um time porque já é a terceira temporada que estamos juntos e aproveitamos ao máximo todos os eventos que temos organizado e as preparações para que a nossa integração seja sempre boa", contou Sergio Mitsuo.

O Canadá é a grande potência do esporte. Tem 36 títulos em 54 edições do Mundial masculino. A principal estrela da equipe é o lendário Glenn Howard, de 55 anos, detentor de quatro títulos mundiais e considerado um dos maiores jogadores de curling da história.

Encarar Glenn Howard foi uma surpresa para os brasileiros. "Como o prazo para inscrição do time é diferente do prazo para que eles (os convocados) sejam divulgados, nós ficamos sabendo muito recentemente que iríamos enfrentar a equipe do Glenn Howard. Mas essa notícia apenas nos ajuda com a questão da divulgação, que é o grande objetivo", revelou Sergio Mitsuo, animado com o duelo.

DIFICULDADES - Sergio Mitsuo e Marcelo Mello são os únicos atletas da seleção que já jogaram curling no Brasil. Apesar de não existir estrutura no País, Sergio conta que a modalidade está crescendo. "O curling acaba sendo um esporte muito conhecido por causa da Olimpíada e das outras participações que já foram realizadas em campeonatos mundiais", disse.

Sergio Mitsuo espera um dia voltar a praticar o esporte em casa. "O que nós podemos no torneio fazer é criar esse conhecimento e divulgação do curling para que um dia tenhamos uma área e uma arena dedicada para a prática dentro do Brasil", acrescentou o jogador.