Ele parece um chinelo de dedos (tanto assim que uma empresa do setor resolveu patrocinar a McLaren e colocar sua marca no dispositivo), mudou completamente o visual das máquinas da Fórmula 1 e obrigou projetistas e engenheiros a uma ginástica para lidar com sua instalação sobre o cockpit. Se mesmo as estrelas da categoria não são unânimes quanto a seu efeito e os torcedores já lembram com saudosismo dos tempos em que nada havia cercando o piloto, o jeito será se acostumar. Mais do que qualquer outro aspecto, a adoção do Halo é a grande novidade da temporada 2018.

O dispositivo, fabricado em titânio e com capacidade de resistir a impactos de uma carga de até sete toneladas, foi o escolhido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) numa tentativa de aumentar a segurança dos pilotos e evitar acidentes que atinjam a região da cabeça. Os vários testes comprovaram a eficácia do arco de proteção na teoria, já que o GP da Austrália será a primeira avaliação em condições reais. Há o temor de que em determinadas circunstâncias o Halo se torne um obstáculo a mais em caso de necessidade de saída rápida do carro, o que só a experiência da pista poderá responder.

No caso dos times intermediários, a adoção do sistema exigiu um gasto nada desprezível. A Force India pretendia usar os mesmos chassis da temporada passada mas, para receber o Halo, foi obrigada a fabricar novos, o que, estima, impactou as contas da equipe em US$ 1 milhão (R$ 3,3 milhões).

As principais novidades da temporada
* Adoção do Halo

* Retorno do GP da França, em Paul Ricard

* Honda troca a McLaren pela Toro Rosso. Tradicional equipe britânica passa a contar com os propulsores Renault

* Alfa Romeo volta à categoria, como patrocinadora da Sauber

* Dois pilotos fazem suas estreias: o monegasco Charles Leclerc, na Sauber e o russo Sergei Sirotkin, na Williams

* Dona dos direitos comerciais da categoria, Liberty Media acaba com a presença das "grid girls"

* Pirelli adota dois novos compostos de pneu, no extremo de sua gama: o Superhard (mais duro e lento), com a cor laranja, e o Hypersoft, o mais macio e veloz, que será identificado pela cor rosa nas laterais

* Possibilidade de adoção de duas ou três zonas de acionamento da asa traseira móvel (DRS) para favorecer as ultrapassagens

* Será permitido o uso de apenas três unidades de potência ao longo dos 21 GPs da temporada. Qualquer substituição do motor a combustão, baterias, Kers (recuperação de energia dos freios), Ers (recuperação de energia da turbina) e turbo acima do limite será punida com perda de posições no grid

 

PILEQUI

 

 

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