Pendurar as luvas e se tornar comentarista na televisão, aos 25 anos, nunca havia passado pela cabeça do promissor goleiro Jackson Follmann. Contudo, num piscar de olhos, a vida do gaúcho nascido em Alecrim mudou radicalmente, num fatídico e trágico 29 de novembro de 2016.

Um dos seis sobreviventes da queda do voo 2933, que levava a delegação da Chapecoense a Medellin (Colômbia), Follmann teve a perna direita amputada e precisou se redescobrir em outra profissão.

Convidado pelo canal Fox Sports a integrar a equipe durante as transmissões, o ex-goleiro usará a experiência adquirida no mundo da bola para expor suas opiniões e seguir próximo ao esporte que praticou desde criança.

Exemplo para milhões de brasileiros por sua força de vontade e superação, o otimista Follmann encara as sessões de fisioterapia e, sempre que pode, faz atividades no mesmo campo em que treina o novo elenco do time de Chapecó.

No tempo livres, quando está em frente à televisão, o agora comentarista aproveita também para acompanhar de perto a campanha da URT no Campeonato Mineiro.

Camisa 1 da equipe de Patos de Minas no ano passado, ele vibra com a classificação às semifinais e com o título de campeão do interior conquistado pelo segundo ano consecutivo.

Neste Papo em Dia, Follmann fala sobre o carinho que tem pela URT e por Patos de Minas, comenta a recuperação física após o acidente aéreo, avalia a possibilidade de se tornar ou não um atleta paralímpico e parabeniza Juninho, novo arqueiro do “Trovão Azul”, pelas atuações no Módulo I.

Jackson Follmann

Camisa 1 e capitão, Follmann foi o grande destaque da URT no Campeonato Mineiro do ano passado

 

No ano passado, você estava na URT e viveu de perto a luta para chegar entre os quatro melhores do Mineiro. Neste ano, o clube conseguiu novamente. Você acompanhou os jogos?

Eu acompanhei alguns jogos da URT e vi um time parecido com o do ano passado, aguerrido, jogando junto, unido, e é isso que está levando o clube a uma segunda taça de campeão do interior.

Pela URT, você ganhou destaque e despertou a atenção de grandes clubes no primeiro semestre do ano passado. Foi onde você apareceu para a Chapecoense também. O que o time representa na sua carreira?

O clube representa muito na minha carreira, pois foi lá que tive um destaque maior, onde tive o privilégio de ser o capitão da equipe durante o campeonato todo, e isso me ajudou bastante no meu crescimento profissional.

Como foi dar os primeiros passos com a prótese provisória e os treinos na Chape? Você se sente completo hoje?

Ainda faltam alguns ajustes, sim, mas me sinto completo e muito feliz, pois quando a cabeça está boa tudo funciona. Comigo está sendo exatamente dessa forma, então, para ficar 100%, não vai demorar muito.

Meu pé já recuperou, mas, neste momento, não me enxergo como um paratleta. Gosto de esporte, e por isso vou me manter nesse meio esportivo. Vou praticar, mas no tempo livre, e não em alto rendimento”

Você não descartou se tornar um atleta paralímpico. Essa ideia ainda está amadurecendo? Em qual esporte você gostaria de investir?

Meu pé já recuperou, mas, neste momento, não me enxergo como um paratleta. Gosto de esporte, e por isso vou me manter nesse meio esportivo, hoje trabalhando na Chapecoense e como comentarista esportivo pela Fox Sports. Esporte eu vou praticar, mas no tempo livre, não em alto rendimento.

Nesta semana, você colocará uma nova prótese. Está ansioso? Dá para comparar com alguma sensação parecida?

Estou ansioso, sim. Mas ainda não coloco o pé definitivo. O encaixe ainda não vai ser colocado, pois meu coto ainda pode ter alguma mudança. Mas é uma sensação única, e eu com certeza vou valorizar muito esse meu novo pé, que está sendo tão esperado.

Como você encara a situação das esposas e familiares das vítimas da tragédia? Acha que o clube realmente precisa dar maior atenção a todos? Você e os outros sobreviventes têm contato com elas?

O meu contato com as esposas é pouco, pelo fato de eu estar focado na minha reabilitação e viajando muito por isso. Sobre o fato de o clube dar mais atenção às famílias, não cabe a mim avaliar.

Jackson Follmann

Ex-goleiro (sentado) ergue a taça da Copa Sul-Americana, conquistada pela Chapecoense em 2016

 

E a Chape na Libertadores e Recopa? O vestiário está pulsando novamente? Como vê este grupo?

Vejo uma crescente muito bacana dentro do grupo. Ele tem um potencial enorme e sabe da responsabilidade de estar em decisões nesses campeonatos. Tenho certeza que, continuando nessa pegada, eles vão conquistar grandes títulos neste ano pela Chapecoense.

Juninho é um excelente goleiro, tem muita experiência e um potencial enorme. Só quero agradecer a ele por estar honrando a camisa da URT e por estar dando continuidade com partidas de destaque”

No ano passado, você parou os grandes da capital durante o Campeonato Mineiro. Tem algum jogo que te marcou mais pela URT?

Foram inúmeros jogos, mas o que mais me marcou foi nossa estreia, contra o Cruzeiro, na qual empatamos em 0 a 0, quando inúmeras pessoas apostavam em uma goleada deles em cima do nosso time.

Após o acidente, teve contato com alguém de Patos de Minas? Recebeu o carinho do povo de lá?

Muitos torcedores me mandaram mensagens de carinho e força. Sou muito grato à torcida da URT e ao povo de Patos de Minas, pois sei do carinho que todos têm por mim. Eu sou e sempre serei torcedor da URT, pois foi um time e uma cidade que me marcaram bastante.

Juninho, goleiro da URT neste Mineiro, também viveu uma situação difícil nos últimos meses e ressurgiu para o futebol em Minas, onde é destaque. Quer deixar um recado para ele?

Juninho é um excelente goleiro, tem muita experiência e um potencial enorme. Só quero agradecer a ele por estar honrando a camisa da URT e estar dando continuidade com partidas de destaque. Nos anos de 2016 e 2017, que foram os que acompanhei a URT, os goleiros foram diferenciais no Campeonato Mineiro.

Deixe um recado para o povo mineiro também. Você é muito querido por aqui e sua história inspira muita gente.

O recado que quero deixar é que nunca deixem de fazer o que querem hoje para amanhã, pois a gente nunca sabe se vai chegar. Aproveite a vida, perdoe mais, ame mais e tenha mais paciência. Um abraço a toda população mineira. Sou muito grato pelo carinho de todos.

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