Democratizar a principal competição do esporte mundial, acolhendo as diferenças e dando espaço a atletas de países de regiões em conflito não tem sido a única prioridade do Comitê Olímpico Internacional (COI). Desde a chegada do ex-remador (e medalhista) alemão Thomas Bach ao comando da entidade, proporcionar um espetáculo à altura da tradição dos Jogos Olímpicos sem perder o controle dos gastos e com os olhos no legado é também fator importantíssimo. Tanto assim que houve pressão para que os japoneses, que receberão a competição em 2020, estabelecessem um teto de gastos realista, não passando dos US$ 17 bilhões (cerca de R$ 57 bi).

O Comitê Organizador confirmou, nesta semana, um corte na previsão de seu orçamento, dos US$ 17,5 bilhões para uma faixa entre US$ 15 e 16,8 bilhões – convertido para a moeda brasileira, entre R$ 50 e 56,2 bilhões. Ainda é um valor elevado se comparado ao montante gasto para preparação, construção de instalações e a logística dos Jogos do Rio que, embora não fechado oficialmente, deve ficar em torno dos US$ 12 bilhões.

Gasto superior que se explica, entre outros, pela decisão dos japoneses de construir do zero um novo Estádio Olímpico, já que as instalações usadas em 1964 não comportariam a estrutura necessária para a competição seis quase décadas depois. A pedra fundamental foi posta dia 11, marcando o início das obras com direito a presença do primeiro-ministro Shinzo Abe e da governadora da província, Yuriko Koike. Projetado pelo arquiteto Keigo Kuma, ele contará com um teto em estrutura composta de madeira laminada (pinho de riga nativo) e aço, com inspiração nas formas dos templos budistas para se integrar ao entorno e reduzir os custos com a climatização.

A tendência de uso de instalações provisórias, que ganhou força a partir de Londres'2012 e se repetiu no Rio – foi assim, por exemplo, com a arena do handebol, que será convertida em escolas municipais – será mantida na volta dos Jogos ao país do Sol Nascente. Dos 39 locais de competição, nove serão temporários, com destaque para o Aomi Urban Sports Venue, um pavilhão localizado ao lado da baía de Tóquio que receberá a estreia do skate e da escalada esportiva.