Derrubar uma escrita de 15 anos e disputar duas finais consecutivas de Campeonato Mineiro, algo que nunca conseguiu na Era Mineirão. Esses são os desafios que movem o América para o clássico de domingo (23), às 18h, no Gigante da Pampulha, onde não vence o Cruzeiro desde maio de 2002.

Depois daquela vitória por 1 a 0, pelo Supercampeonato Mineiro, os dois rivais disputaram 14 clássicos no Mineirão. Foram sete vitórias cruzeirenses e sete empates.

Um desses empates teve sabor muito especial para os americanos. Foi o 0 a 0 de 24 de abril do ano passado, no jogo de volta das semifinais do Estadual.

Como tinha vencido a ida, uma semana antes, no Independência, por 2 a 0, o América garantiu presença na decisão, onde quebrou um jejum de 15 anos sem ganhar o título mineiro superando o Atlético.

O gol de Thiago Neves, que empatou o clássico do último domingo (16), no Independência, foi muito lamentado pelo técnico Enderson Moreira, pela melhor atuação do seu time na partida.

E pela história recente do confronto, no Gigante da Pampulha, o camisa 30 cruzeirense pode ter sido decisivo mesmo, pois os últimos três clássicos disputados no Mineirão, todos no ano passado, terminaram empatados.

Nesses confrontos, o camisa 10 Arrascaeta, que está ganhando fama de carrasco contra o Atlético, mostrou ser eficiente também em clássicos contra o América, pois os dois gols marcados pela Raposa sobre o Coelho, em 2016, foram dele.

Mando invertido
Uma curiosidade que cerca esse tabu é a “inversão” de mando de campo feita pelo América na primeira fase do Campeonato Mineiro de 2013.

O confronto de 7 de abril, pela 9ª rodada do Estadual, tinha mando do América. Mas o clube preferiu disputar a partida no Mineirão, que naqueles tempos era ainda uma grande novidade, pois tinha sido reaberto após a reforma para as Copas das Confederações e do Mundo há apenas dois meses.

A partida, que recebeu quase 30 mil pagantes, teve maioria absoluta de cruzeirenses, sendo que os sócios do clube puderam usar os seus cartões para ter acesso ao Gigante da Pampulha, algo que só acontece nos jogos em que o Cruzeiro é mandante.

Com um clima tão favorável, o Cruzeiro, que formava a equipe que depois seria bicampeã brasileira, não encontrou dificuldade para golear por 4 a 1.

Apesar do desastre de 2013, o Coelho já provou também que não tem medo de Mineirão cheio. Na partida de volta da semifinal do ano passado, o estádio recebeu mais de 35 mil pagantes.

E apesar de toda a pressão dos cruzeirenses, o time do goleiro João Ricardo soube segurar a vantagem alcançada na ida e se classificou para a final com um 0 a 0.

Agora, não há vantagem a segurar. O América só chega à decisão se vencer o Cruzeiro no Gigante da Pampulha, repetindo o feito alcançado pelo São Paulo na última quarta-feira (19), pela Copa do Brasil. O tempero extra para o clássico deste domingo já está garantido.

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